O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem aproveitado todos os eventos bons para dar destaque à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Foi assim no anúncio da descoberta de uma megajazida de petróleo na Bacia de Santos, na segunda quinzena do mês passado, e assim foi no lançamento da TV digital. Nos dois casos, a divulgação da novidade coube à ministra e não ao titular da área.

Políticos e até mesmo alguns auxiliares do presidente disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que por trás da superexposição da ministra há um objetivo político, embora as justificativas sejam sempre técnicas. Trata-se de um teste que Lula estaria fazendo com Dilma para saber quais são as possibilidades de transformá-la em candidata a sua sucessão, em 2010.

Primeiro, é preciso ver como será a reação da base aliada e da sociedade em relação ao fato de Dilma começar a aparecer muito. Se for bem aceita, continuará à frente de projetos interessantes como já o faz, ao comandar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Se não pegar, busca-se outro candidato.

?Está claro que o presidente da República tem a intenção de construir a candidatura de Dilma Rousseff a sua sucessão?, disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). No Palácio do Planalto, os que procuram desvincular a exposição de Dilma de quaisquer segundas intenções políticas dizem que coube a ela fazer o anúncio da descoberta da super-reserva de petróleo porque é a ministra que mais conhece o setor.

Quanto à cerimônia de lançamento da TV digital, no domingo, o Palácio do Planalto tem uma explicação técnica para a aparição política. De acordo com um auxiliar do presidente, quem negociou os padrões para a TV digital foi Dilma. A palavra final sobre a adesão ao sistema japonês coube a ela. Durante dois anos, informou ainda o assessor de Lula, a ministra comandou um grupo de trabalho sobre a TV digital. Desse grupo participaram integrantes dos Ministérios das Comunicações, de Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, entre outros. Portanto, na visão do governo, nada mais justo do que Dilma ser a mestre de cerimônias da TV digital.