O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (12), em entrevista no aeroporto de Macapá, que o cartão corporativo é a forma mais séria e transparente de cuidar dos gastos públicos. "O que precisamos é, a partir da deficiência, fazer as correções necessárias e continuar colocando na internet para que a população brasileira tenha acesso às informações", afirmou. "Acho que todo mundo tem de mostrar corretamente aquilo que gastou ‘todo santo dia’", completou.

Ele disse não temer a instalação de uma CPI no Congresso para investigar o uso incorreto dos cartões. Lula creditou as denúncias a um "segmento da oposição" que estaria torcendo para o governo dar errado. No entanto, disse que os dois maiores partidos de oposição – PSDB e DEM – não estariam por trás dessas supostas tentativas para fazer o governo fracassar.

Lula defendeu, no entanto, que gastos com a segurança pessoal do presidente da República e sua família devem ser mantidos em sigilo. Ele citou o caso do primeiro ministro do Timor Leste, José Ramos Horta, que neste final de semana sofreu um atentado. "Só tem um gasto que não deve ser explicitado: o da segurança. Segurança é uma coisa muito delicada", disse. "Agora vejam o que aconteceu no Timor Leste".

Lula foi questionado se as declarações dele se diferenciavam das declarações de ministros como Dilma Roussef (Casa Civil) e Jorge Armando Félix (Segurança Institucional), que defenderam que boa parte dos gastos da Presidência não sejam informados no Portal da Transparência. Lula apenas respondeu reforçando a sua opinião de que os gastos da segurança pessoal do presidente e da família devem ser mantidos em sigilo. Em relação a um comentário de que a Presidência estava considerando todos os gastos como de segurança, Lula evitou falar, enquanto já estava encerrando a entrevista.