Ituverava, SP (AE) – Por orientação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), 16 mil hectares de lavouras de algodão transgênico pirateado, já interditados pelo Ministério da Agricultura (MAPA), serão destruídos. A destruição será química e mecânica nas lavouras das 20 propriedades que estavam utilizando sementes modificadas geneticamente e contrabandeadas, principalmente do Paraguai e Argentina. As plantações são nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.

O setor de fiscalização do Ministério da Agricultura informa que a área com plantio de sementes de algodão contrabandeadas pode chegar a 200 mil hectares. A decisão de destruir as lavouras foi tomada em reunião da CTNBio terça-feira à noite em Brasília, com participação da Procuradoria da República.

As investigações sobre o algodão transgênico estão sendo feitas desde maio. Um dos primeiros lotes encontrados foi de 450 hectares na fazenda Milagre, município de Centralina (MG). A plantação era irrigada e estava escondida entre grandes lotes de cana-de-açúcar.

A fazenda está em nome de Amanda Keruza da Cunha Câmara de Aquino, mulher de Valdeci Tomás de Aquino, conhecido como Badu, que foi assessor e um dos que emprestavam dinheiro ao ex-ministro dos Transportes e prefeito de Uberaba (MG), Anderson Adauto (PL). No local foram encontradas sementes com a tecnologia BR, da Monsanto, não vendidas no País.

A suspeita é que da fazenda Milagre estivesse saindo a maior parte da semente pirata comercializada no Estado de Goiás e no Triângulo Mineiro. Segundo a assessoria de Imprensa do ministério, as fiscalizações aumentarão no País, principalmente nos estados da Bahia, Mato Grosso e Goiás.

 De acordo com a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), pelo menos 50% das sementes plantadas hoje no Brasil estão sendo contrabandeadas da Argentina e Paraguai. O que representa redução de qualidade, baixa produtividade e evasão fiscal de cerca de R$ 4 milhões por ano.