Local das provas de remo e canoagem nas Olimpíadas de 2016, a Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão postal carioca na zona sul, enfrenta há dez dias mais uma mortandade de peixes. Foram recolhidas 43 toneladas de savelhas até o fim da tarde desta quinta-feira, 16, e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente reconhece que a situação deverá piorar nos próximos dias.

O cheio forte de peixe em decomposição incomoda quem passa na orla. A prefeitura atribuiu a mortandade a um “choque térmico” causado por chuvas intensas e pelo aumento do nível do mar, que ocasionaram grande entrada de água na lagoa semana passada. A variação de temperatura apontada pelo monitoramento foi de até menos 4 graus.

Após três sucessivas mortandades no início dos anos 2000, que resultaram em 400 toneladas de peixes mortos, foram feitas obras para reduzir o despejo de esgoto. O que não impediu mortandade menor, há três anos.

“A lagoa é e sempre será um ecossistema frágil. Venho dizendo desde a última mortandade que é necessário plano de contingência para evitar que pequenas mortandades se tornem maiores, se não tiver uma rápida remoção dos peixes. Não é fatalidade, é porque infelizmente falta gestão”, disse o biólogo Mario Moscatelli, responsável pelo replantio de manguezais.

Segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana, dois catamarãs e um barco pequena recolher os peixes. Uma embarcação maior, que poderia agilizar a limpeza, está parada há pelo menos um ano. A secretaria informa que o desequilíbrio continuará nos próximos dias “devido à presença de matéria orgânica decorrente das chuvas e de parte dos peixes (mortos) que permanecem na água e podem comprometer o nível do oxigênio dissolvido”.