Foto: Arquivo/O Estado

Janene: processo de cassação do deputado é o mais atrasado.

O deputado José Janene (PP-PR) fez mais uma tentativa de atrasar o seu processo de cassação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Em ofício, Janene pede que sejam suspensos os depoimentos das testemunhas previstos para hoje e amanhã. Ele argumenta que os depoimentos sem a sua presença vão prejudicar a defesa. O deputado está em licença de saúde por causa de uma cardiopatia grave, atestada por junta médica da Câmara.

Mas o presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), disse que não suspenderá os depoimentos. O processo de Janene é o que está mais atrasado, entre os acusados de receber mensalão, por causa do estado de saúde do parlamentar.

Em relação aos outros processos ainda pendentes, o Conselho de Ética adiou para o dia 4 a votação do pedido de cassação do deputado Josias Gomes (PT-BA). A deputada Neyde Aparecida (PT-GO) pediu um prazo regimental de duas sessões para analisar o parecer do relator Mendes Thame (PSDB-SP).

Aparecida pediu vista do processo, na ausência da deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que deixou a reunião antes do fim da leitura do relatório. Thame argumentou, no documento, que Gomes feriu a Lei Eleitoral, ao usar recursos de caixa dois e obter vantagens indevidas.

"Houve benefícios políticos e financeiros indevidos para o representado, ou não estaria ele tão empenhado para a resolução das questões financeiras junto à executiva nacional do PT", alega. Ele disse ainda que, como a procedência dos recursos não foi contabilizada na Justiça Eleitoral, a operação não é legal. "A verdade incontestável é que ele (Gomes) admite, reconhece, confessa e está provado que recebeu recursos não contabilizados, pessoalmente, da mão do sr. Delúbio Soares (ex-secretário nacional de finanças e planejamento do PT), uma vez, e outra vez, do ‘valerioduto’", afirma no relatório.

Na defesa, o deputado do PT da Bahia afirma ter pedido a Delúbio dinheiro para pagar gastos de campanha de deputados do estado, que não foram eleitos. Gomes diz que R$ 50 mil foram entregues pelo ex-secretário nacional de finanças e planejamento do PT e outros R$ 50 mil foram sacados no Banco Rural, em Brasília. O deputado do PT disse que as verbas foram repassadas aos "companheiros que estavam em dificuldades" e que ele apenas fez a intermediação do dinheiro.