Reportagem publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo, baseada em documento oficial da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), revela que o filho do chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT), José Carlos Becker de Oliveira e Silva, o Zeca Dirceu (PT), foi favorecido no empenho de emendas parlamentares ao orçamento da União destinadas a municípios do Paraná. De acordo com a reportagem, ele consta cinco vezes da lista. O deputado Alberto Goldman (PSDB/SP) definiu o favorecimento como “tráfico de influências”. Zeca é chefe do Núcleo de Umuarama da Secretaria Estadual do Trabalho e pré-candidato a prefeito de Cruzeiro do Oeste.

Zeca Dirceu é responsável pelas negociações de uma verba de R$ 607 mil em recursos para obras públicas em duas cidades do Noroeste do Paraná. Para comparar, o jornal cita que os deputados federais Dilceu Sperafico (PP), Nelson Meurer (PP) e Alex Canziani (PSDB) conseguiram juntos empenhar para obras no Paraná R$ 175,9 mil ao todo.

Zeca informou, por meio de sua assessoria, que esteve em Brasília pleiteando e defendendo ações antes de o PT assumir o governo federal, “de maneira pública e transparente”. Ele afirmou que todas as reivindicações que fez foram articuladas de “maneira legítima” por prefeitos e entidades da região. “Tanto é que foram aprovadas e constam da relação de emendas ao Orçamento e, na medida das disponibilidades de recursos, foram ou não liberadas”.

Ainda de acordo com Zeca, o “reconhecimento” do seu trabalho tem provocado convites de prefeitos e entidades para participações em várias solenidades. Finalmente, Zeca afirmou que as despesas com viagens a Brasília foram pagas com recursos próprios.

 Casa Civil não vê problemas

A assessoria de imprensa da Casa Civil informou que Zeca Dirceu, “de forma legítima, apóia e acompanha as reivindicações dos prefeitos e de entidades da região”. A assessoria não comentou o documento da Funasa, nem a participação de Waldomiro Diniz no agendamento de reuniões para o filho do ministro e nem confirmou se José Dirceu custeia as viagens a Brasília.

O Ministério do Turismo confirmou que houve um encontro entre o ministro Walfrido Mares Guia e Zeca, mas sem a concessão de privilégios. No caso do Ministério do Desenvolvimento Social, foi assinado convênio com municípios do noroeste do Paraná, mas não houve repasse de dinheiro.

O Ministério do Meio Ambiente disse que Zeca Dirceu esteve no ministério em dezembro de 2003, integrando comitiva de prefeitos.

Para Bastos, houve “frenesi”

Brasília – Referindo-se à reportagem publicada ontem pela Folha de S. Paulo, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que está havendo “um certo frenesi”” sobre assuntos que podem ligar o ministro da Casa Civil, José Dirceu, a qualquer coisa irregular. Segundo o ministro, José Carlos está cumprindo um papel “absolutamente razoável”.

“Nada de tráfico de influência, nada de ilegal, nada de escondido, nada de ilícito. Tanto que está tudo isso no papel”, disse o ministro. “O que ele (José Carlos) estava fazendo era um trabalho para ajudar as pessoas a conseguirem certos objetivos normais e legais. De modo que acho que aí está entrando muito um certo frenesi”, disse o ministro. Na avaliação dele não há nenhuma imoralidade nesse caso. “O que há são pressuposições”, disse.