Em meio à crise de desabastecimento de insumos e o desgaste com o Ministério da Saúde e parte dos funcionários, o diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antonio Santini, deixou o cargo na quarta-feira, 13. A decisão foi anunciada após reunião com a secretária de Atenção à Saúde, Lumena Almeida Castro Furtado. Santini estava no cargo havia 10 anos. Assume o Inca o médico Reinaldo Rondinelli, que era coordenador de Assistência, responsável pelos quatro hospitais e pelo Centro de Transplante de Medula Óssea.

Santini enfrentava grave crise de desabastecimento de materiais hospitalares básicos, como gaze, algodão e cateter. Cirurgias foram adiadas. O problema se deve à demora da aprovação do orçamento da União. O Inca faz compras por trimestre e não houve a liberação de recursos no fim do ano passado.

Santini vinha defendendo novo modelo de gestão, transformando o Inca em empresa pública com autonomia para gerenciar recursos. Isso agilizaria da compra de insumos à contratação de mão de obra. Ele defende que os servidores do Inca sejam celetistas, em vez de ligados ao regime jurídico único. A proposta enfrenta resistência de funcionários e no Ministério da Saúde.

“Havia desgaste político, críticas internas à gestão dele. A gente não pode dizer que a direção do Inca é unificada. Não nos parece que o Inca enfrente problemas por modelo de gestão, mas de gestor. O hospital presta serviço extremamente relevante para ficar nessa situação de insolvência política e administrativa”, disse o diretor da Associação de Funcionários, Nemézio Amaral Filho.

Santini não foi encontrado para comentar a saída. Ele viajou para Natal, onde foi homenageado pela Liga de Combate ao Câncer. Em nota, voltou a defender novo modelo de gestão para o instituto. “O Inca precisa dispor de autonomia, flexibilidade e agilidade de gestão, mantendo seu papel na esfera pública e o atendimento 100% SUS”, escreveu.