Ricardo Stuckert / ABr
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Brasília – A avaliação do governo e o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuam em queda, segundo a 78.ª pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. A avaliação positiva do governo, que era de 40,3% em julho, caiu para 35,8% em setembro, uma queda de 4,5 pontos percentuais. A avaliação negativa, que era de 20%, subiu para 24%, e a regular subiu de 31,1% para 38,2%.

Quanto ao desempenho pessoal do presidente Lula, a queda foi de 9,9 pontos percentuais. A aprovação, que era de 59,9% em julho, caiu para 50% em setembro, enquanto a desaprovação, que era de 30,2%, subiu para 39,4% em setembro. Além disso, a confiança dos entrevistados na condução da política econômica piorou de julho para setembro. Na pesquisa de julho, 40,2% achavam que a política econômica estava no rumo certo. Agora, só 34,9% mostraram confiança na condução econômica. Para 50,1% dos entrevistados, a política econômica está no rumo inadequado. Em julho, o percentual era de 46,1%. A pesquisa ouviu duas mil pessoas entre os dias 6 e 8 de setembro e a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

A pesquisa mostra também uma deterioração na percepção dos entrevistados sobre a corrupção no governo Lula. Para 35,9% dos entrevistados, a corrupção aumentou muito no atual governo, aumentou um pouco para 18,6% e ficou como sempre esteve para 32,5%. Na pesquisa de julho, 20,2% disseram que a corrupção tinha aumentado muito no atual governo, 20,1% disseram que aumentara um pouco e 41,8% disseram que ficara como sempre esteve. Para 48,9% dos entrevistados, a corrupção no Brasil no governo atual é maior do que no governo passado. Apenas 16,8% acham que é ela menor agora. O percentual dos que consideram que não houve mudança nos dois governos caiu de 34,4% em maio para 27,6% agora.

A corrupção continua mais associada ao Congresso e ao PT do que ao Executivo. Para 39,1%, ela está diretamente relacionada ao PT, para 24,2%, ao Congresso (senadores e deputados), para 13,5%, ao presidente Lula, e para 10,7%, ao governo. Também aumentou o percentual dos que consideram que Lula tinha conhecimento das denúncias de corrupção. O número subiu 33,6% em julho para 49,5% em setembro.

A maioria dos entrevistados se divide em relação à atitude do presidente diante da corrupção. Ele tem agido adequadamente para 44,8%. Em julho, esse índice era de 47,8%. Para 45,1%, o presidente Lula não tem agido adequadamente diante das denúncias. Esse índice era de 31,9% em julho. A pesquisa também constatou que há descrença em relação a discurso do presidente: 38,9% não acreditam no discurso dele, 31% acreditam e 26% acreditam em parte.

A pesquisa revelou ainda que 79,6% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar dos trabalhos das CPIs. Entre esses 79,6%, a atuação das CPIs é regular para 32,6%, boa para 23%, péssima para 18,5%, ruim para 11,1% e ótima para 9,2%. 

Segundo turno será em todos os cenários

Brasília – A pesquisa CNT/Sensus fez seis simulações das eleições de 2006 e, pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria que disputar o segundo turno em todos os cenários. Num eventual segundo turno, Lula venceria em todos, à exceção do cenário com o prefeito de São Paulo, José Serra, em que haveria empate técnico. Lula teria 37,9% e Serra, 37,5%.

No cenário um apontado para o primeiro turno: Lula teria 32,7% dos votos; contra 13,2% do ex-governador Anthony Garotinho; 13,1% do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; 6,9% do prefeito do Rio, Cesar Maia; e 6,3% da senadora Heloisa Helena. Na lista dois, Lula teria 33,4%; Garotinho, 14,7%; o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, 9,1%; Heloisa Helena 7,8%; e Cesar Maia, 6,8%.

Na lista três, Lula teria 31,4%; o prefeito de São Paulo, José Serra, 23,8%; Garotinho, 10,9%; Heloisa, 6,3%; e Cesar, 4,8%. Na lista quatro, Lula teria 33,3%; Garotinho, 13%; o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 11,4%; Heloisa Helena, 8,6%; e Cesar Maia, 6,2%. Na lista cinco, Lula teria 33,9%; Alckmin, 12,2%; o ex-presidente Itamar Franco, 8,2%; Cesar Maia, 7,8%; Heloisa Helena, 6,7%; Na lista seis, Lula teria 29,2%; Alckmin, 14,6%; o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, 10,7%; o presidente do PPS, Roberto Freire, 7,7%; e Itamar Franco, 4,6%.

A rejeição a Lula subiu de 30,8% na pesquisa de julho para 39,3% em setembro, a de Serra caiu de 42,4% para 38,7%. A margem de erro da pesquisa, que ouviu duas mil pessoas em 195 municípios brasileiros entre os dias 6 de 8 de setembro, é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.