Balonismo

Após queda de balão em SC, governo quer regulamentar atividade no Brasil

Queda de balão em Santa Catarina
Oito pessoas morreram na tragédia, carbonizadas ou ao pular para fugir das chamas. Foto: CBM-SC/Divulgação

Após a morte de oito pessoas na queda de um balão em Santa Catarina, o Ministério do Turismo quer avançar na regulamentação do balonismo no Brasil. Atualmente, a prática é definida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como uma “atividade aerodesportiva”, ou seja, realizada “por conta e risco dos envolvidos”.

A intenção do ministério é discutir regras para a operação desses voos, com o objetivo de garantir mais segurança e, ao mesmo tempo, fomentar a atividade turística no país. Um dos pontos em debate é a regulamentação dos operadores de balões.

Hoje, não há exigência de habilitação técnica específica para pilotos de balões de ar quente nem de certificação para atestar a segurança das aeronaves. A única licença prevista é a de Piloto de Balão Livre (PBL). Quando os voos são realizados apenas como atividade esportiva, ela não é obrigatória.

Para discutir avanços na regulamentação, o Ministério do Turismo deve convocar uma reunião nas próximas semanas com as entidades envolvidas na prática.

Regularização de voos de balão é pauta antiga

No início de junho, durante o lançamento do projeto “Turismo Sebrae + Praia Grande”, representantes do ministério já haviam abordado a necessidade de regulamentar a atividade em âmbito nacional. Entre as propostas está a criação de um cadastro específico de operadores turísticos de balonismo no Cadastur.

A pauta inclui ainda a definição de critérios para autorizar voos em áreas urbanas, rurais e de conservação ambiental, além da criação de uma legislação específica para a prática, integrando o balonismo ao mapa oficial do turismo nacional.

Diante da repercussão do acidente e da discussão sobre a regulamentação da atividade, a Confederação Brasileira de Balonismo (CBB) divulgou uma nota de pesar. No comunicado, a entidade disse que sua competência se restringe à prática esportiva, competitiva e federada. Veja um trecho da nota:

“Nossa competência não se estende à regulação ou fiscalização das atividades turísticas ou comerciais envolvendo balões de ar quente de passeio, as quais são de responsabilidade de órgãos reguladores e entidades especializadas no setor aeronáutico e turístico.

Reiteramos nosso compromisso com a segurança, a ética e a promoção responsável do balonismo esportivo no Brasil, e reforçamos nossa disponibilidade para contribuir com iniciativas que visem à melhoria contínua da prática segura deste esporte.”

Regulamentação nacional afetaria prática no Paraná

Segundo o Plano Nacional de Turismo 2023-2027, o turismo de aventura representa cerca de 20% da demanda dos turistas internacionais que escolhem o Brasil como destino. Somente em 2024, o turismo paranaense movimentou R$ 6 bilhões, com 894 mil visitantes, segundo a Viaje Paraná.

Além da chamada “Capadócia brasileira”, em Santa Catarina, o Paraná também se destaca na prática do balonismo. Um dos principais destinos é Pato Branco, no Sudoeste. Cidades como Ponta Grossa e Rio Branco do Ivaí, no interior, também sediaram festivais de balonismo em junho de 2024, atraindo mais de 5 mil espectadores.

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