Brasília – O Conselho de Ética da Câmara Federal abriu ontem um processo de cassação do mandato do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ) por quebra de decoro parlamentar. Com isso, o deputado não pode mais renunciar ao cargo para preservar seus direitos políticos em uma eventual cassação de mandato. Os integrantes do conselho irão agora ouvir todos os citados por Jefferson na entrevista publicada pela Folha de S. Paulo, na última segunda-feira.

Na citada reportagem, Jefferson diz que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava uma mesada de R$ 30 mil a deputados de dois partidos da base aliada – PP e PL – em troca de apoio político. O deputado Jairo Carneiro (PFL-BA) será o relator. Jefferson será convidado a depor ainda hoje. No entanto, ele poderá recusar o pedido ou aceitar e agendar uma data que lhe for conveniente.

Jefferson também receberia ainda ontem um convite da Comissão de Sindicância da Câmara dos Deputados para explicar as denúncias feitas à Folha de que parlamentares do PP e PL receberiam R$ 30 mil mensais para votar de acordo com os interesses do Executivo. O corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), disse que o ideal seria que Jefferson prestasse depoimento amanhã, mas o presidente do PTB pode recusar o convite ou aceitá-lo e marcar uma outra data para apresentar sua defesa. Em nenhum momento, de acordo com o corregedor, o convite poderá virar convocação.

A comissão de sindicância foi criada formalmente pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), e terá como relator o deputado Robson Tuma (PP-SP). Ao contrário do requerimento que está em análise no Conselho de Ética para que o mandato de Jefferson seja cassado, a Comissão de Sindicância terá uma investigação mais ampla. "Aqui tudo o que diz respeito aos parlamentares será investigado", afirmou.