O Brasil perde terreno no ambiente para investimentos em tecnologia, quando comparado com seus vizinhos da América Latina, de acordo com o Índice da Sociedade da Informação (ISI), medido pela consultoria espanhola DMR Consulting e pelo Centro para a Empresa Latino-Americana da Universidade de Navarra. O País fechou o quarto trimestre com 4 44 pontos no índice, 0,8% a menos que no mesmo período do ano anterior, abaixo do Chile , México, Argentina e da média latino-americana.

"O estudo anterior já apontava uma degradação", afirmou Flávio Araripe, sócio-diretor da DMR Consulting no Brasil. Na medição anterior, o País ainda ficava à frente da Argentina. "Os indicadores de tecnologia do Brasil estão melhorando, mas os indicadores sobre o ambiente econômico, institucional e social não conseguiram acompanhar o restante da região."

Na variável ambiente total, houve uma queda anual de 2,7% na pontuação brasileira. "Essa queda se justifica pelo menor aumento relativo do PIB e pela menor qualificação conseguida no Índice de Liberdade Econômica", apontou o estudo. O Brasil obteve 4,47 pontos no índice de ambiente total, comparado a uma média de 5,11 da América Latina.

No índice de tecnologias da informação e da comunicação, de outro lado, a pontuação do Brasil aumentou 8,4%, chegando a 4,12 pontos, acima da média regional de 3,84 pontos. O item que mais contribui para a melhora brasileira foram os telefones móveis, que subiram 34,5%, chegando a 458 terminais por mil habitantes. O número de usuários de internet avançou 18,5% no ano, registrando o maior aumento entre os países analisados. No entanto, chegou a 144 usuários por mil habitantes, a menor proporção entre os países analisados.

"Como o índice é relativo, se o Brasil andar para a frente, mas mais devagar que os outros países, perde terreno", disse Araripe "O que nos atrapalha são temas de entorno, questões estruturais que são mais difíceis de resolver." Entre os fatores que atrapalharam o País estão o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante, o PIB total e a liberdade econômica. "Deteriorou-se em 8% o índice de percepção de corrupção", destacou o consultor.

Na projeção para os próximos meses, a consultoria prevê uma melhora no ISI brasileiro, que deve alcançar 4,46 pontos em junho de 2006. A melhora, mais uma vez, viria dos índices de tecnologias da informação e comunicação. O relatório prevê que, em junho, o número de celulares no País chegará a 505 terminais por mil habitantes, um crescimento de 26,6%.

"Um grande drama mostrado pelo nosso estudo é que o Brasil só é bom quando comparado o próprio Brasil", afirmou Araripe. A consultoria atende a empresas interessadas em se instalar na América Latina ou aumentar suas operações na região. Compensa investir no Brasil? "Se fosse analisar só o indicador, seria melhor o Chile", disse o consultor. "Mas existem outros fatores, como tamanho do mercado e concorrência."