Marcela de Jesus Ferreira, o bebê que nasceu com anencefalia em 20 de novembro, teve paradas respiratória e cardíaca no início da tarde de hoje, na Santa Casa de Patrocínio Paulista, na região de Ribeirão Preto. Segunda a pediatra Márcia Beani Barcellos, que a acompanha, ela foi reanimada rapidamente pela equipe médica que estava em serviço, apenas com massagens, sem a necessidade de medicamentos. "A parada cardíaca foi de segundos e ela voltou facilmente", disse Márcia. Uma equipe médica do hospital está sempre atenta em relação à criança.

"São os primeiros sinais de falência dos órgãos", comentou Márcia, informando que a mãe, Cacilda Galante Ferreira, de 36 anos, que jamais saiu do lado da filha, está tranqüila e mantém a sua fé. A pediatra disse que a família Ferreira está consciente do quadro clínico delicado de Marcela e que a menina não será entubada em casos de novas paradas, forçando uma respiração artificial para mantê-la viva. "Ela não será ligada a nenhum aparelho, tudo ocorrerá naturalmente", afirmou Márcia.

Marcela tem apenas uma parte do encéfalo (cérebro), que a mantém viva. Ela já superou todas as expectativas de sobrevivência, pois esperava-se que vivesse horas ou dias. A mãe nunca cogitou a possibilidade de abortar. A menina já está recebendo 35 ml de leite a cada três horas, após um período de alimentação por meio de soro. Ela respira normalmente, mas o capacete de oxigênio continua mantido em sua cabeça. Não tem mais febre ou convulsões mas, devido ao quadro delicado, a pediatra já descartou qualquer hipótese de alta médica. A alta poderia ocorrer se a mãe se sentisse segura sobre os cuidados com a filha e se Marcela ficasse em local próximo à Santa Casa. Agora essa hipótese está afastada.