A gasolina com 32% de etanol anidro (E32) começa a ser vendida em todo o Brasil a partir de 1º de agosto e traz uma preocupação maior para proprietários de veículos carburados, bem como os sem a tecnologia flex. Embora a mudança não represente um problema imediado, carros mais antigos podem exigir inspeções mais frequentes para evitar o desgaste de alguns componentes.

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Segundo o professor Alexandre Lara, coordenador da graduação em Engenharia Mecânica da Universidade Tuiuti do Paraná, a nova mistura não significa que todos os veículos antigos sofrerão danos, mas há peças que merecem atenção especial. Entender onde estão esses pontos mais sensíveis pode ajudar a evitar problemas e prolongar a vida útil do sistema de alimentação.

Quais peças podem sofrer mais com a gasolina E32?

De acordo com o professor, o etanol é compatível com diversos materiais, mas apresenta um comportamento diferente da gasolina. Por isso, pode provocar degradação e corrosão em componentes presentes principalmente em veículos mais antigos e carburados.

As peças mais vulneráveis são aquelas fabricadas com determinadas ligas metálicas, especialmente ligas de zinco, além de alguns tipos de mangueiras, revestimentos e da própria bomba de combustível.

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Alexandre Lara explica que também é difícil conhecer exatamente a composição das ligas utilizadas na fabricação desses componentes e os tratamentos aplicados ao longo dos anos.

Mangueiras e bomba de combustível merecem atenção

A atenção dos proprietários deve estar, entre outros componentes, nas mangueiras e nos flexíveis. “É importante verificar se estão endurecendo, amolecendo, apresentando fissuras ou ficando pegajosos. Além disso, algumas peças do carburador, como a junta da cuba, a válvula, a boia e componentes da bomba de combustível também merecem atenção. A bomba de combustível talvez seja a que mais sofra”, disse o especialista.

Gasolina E32 entra em vigor em agosto e aumenta a atenção necessária na manutenção de carros carburados, principalmente naqueles “de fim de semana”. Foto: Leonardo Coleto/Tribuna do Paraná.

O motorista vai perceber diferença ao dirigir?

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Em veículos carburados bem regulados, a mudança tende a ser discreta. Ainda assim, Alexandre Lara afirma que o motorista pode notar um leve aumento no consumo, maior necessidade de utilizar o afogador nas partidas a frio e pequenas alterações na marcha lenta.

Segundo ele, isso ocorre porque o etanol carrega oxigênio na própria molécula, enquanto o carburador dosa o combustível principalmente pela diferença de pressão, sem reconhecer automaticamente a nova composição.

“Os sistemas eletrônicos antigos também são mais limitados, então, de fato, o carro vai sentir essa mudança. Usando uma equivalência energética, observa-se que o E32 tem cerca de 1% a menos de equivalência energética teórica em relação ao E30”, explica o professor.

É preciso fazer regulagem no carro?

Nem sempre. O professor afirma que uma recalibração pode ser necessária quando o veículo apresentar perda de potência, aquecimento anormal, leitura de mistura pobre na sonda lambda ou dificuldades nas partidas.

“Nesses casos, pode ser necessário um ajuste na marcha lenta e a adequação de alguns componentes do sistema de alimentação”, recomenda.

Gasolina Premium pode ser uma alternativa

Para quem busca reduzir os efeitos da nova mistura, a gasolina Premium pode ser uma opção.

Segundo Alexandre Lara, esse combustível continua utilizando gasolina E25, com 25% de etanol anidro. Por isso, pode oferecer vantagens em relação à corrosão e tende a proporcionar um melhor nível de consumo.

Ele ressalta, porém, que a gasolina Premium não corrige problemas relacionados às mangueiras nem substitui a manutenção do veículo.

Já os aditivos comercializados separadamente não alteram o percentual de etanol presente no combustível. Além disso, não removem água, partículas sólidas ou outras impurezas, tornando-se uma alternativa menos eficaz do que a gasolina Premium nesse aspecto.

Cuidados para quem usa o carro apenas aos fins de semana

Os cuidados passam a ser ainda mais importantes para veículos que permanecem longos períodos parados.

Segundo o professor, nesses casos a utilização da gasolina E32 se torna mais crítica devido à concentração de resíduos sólidos, à presença de água e à oxidação dos componentes.

“Nesses casos, o ideal é manter o tanque sempre cheio. Um tanque próximo do vazio tende a apresentar maior concentração de resíduos sólidos, o que torna essa condição menos favorável para a conservação do sistema de combustível”, orienta o professor.

Professor Alexandre Lara explica quais cuidados ajudam a preservar veículos antigos com a nova mistura de etanol na gasolina. Foto: Arquivo/ Daniel Caron/ Tribuna do Paraná.

O que muda na gasolina brasileira?

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, na última terça-feira (14), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida entra em vigor em 1º de agosto, terá validade inicial de seis meses e poderá ser prorrogada por mais seis meses.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a mudança busca reduzir a necessidade de importação de gasolina em um cenário de oscilações no preço do petróleo provocadas pelas tensões no Oriente Médio. A pasta afirma que ampliar a participação do etanol produzido no Brasil também diminui a dependência de combustíveis fósseis importados.

O ministério informa ainda que testes realizados em parceria com o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) não identificaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive os modelos não flex. Em 2025, a mistura obrigatória já havia passado de 27% para 30%. A política de adição de etanol à gasolina no Brasil começou em 1931, quando o percentual era de até 5%.