ja751.jpgNanotecnologia é o nome da jovem ciência que começa a aparecer quando o assunto são átomos e moléculas, abrangendo uma escala de tamanho de 1 a 100 nm. Do grego "nano", que signifique anão, a nova ciência começa a ser largamente utilizada no setor automotivo. Na Nanotec Expo 2006, encerrada ontem, quarta-feira, no ITM Expo, em SP, o público pôde ver de perto o novo Audi A3 Sportback, repleto de recursos nanotecnológicos.

Para começar, o veículo utiliza camadas à base de nanotecnologia na cobertura do painel de instrumentos para evitar reflexos da luz externa. Na linha de montagem, robôs colocam componentes críticos em um banho de imersão, para revestir com películas ambos os lados dos vidros que cobrem os instrumentos do painel, tornando o "cockpit" completamente anti-refletivo.

Outro destaque do veículo é o retrovisor interno fotocrômico, que contém uma camada que escurece quando recebe energia elétrica, evitando com isto a distração ao volante, causada pelos efeitos da luz nos olhos do condutor. Com o retrovisor auto-regulável em função da claridade, isso não ocorre. O espelho, disponível em toda a linha Audi, tem dois sensores – um na frente e outro atrás.

Quando o sensor de trás registra aumento de luz e o da frente indica escuridão, a nanopelícula entra em ação. Dependendo das condições de luz, diferentes voltagens são aplicadas para iniciar um processo químico no qual o movimento dos íons de lítio faz com que os átomos se reagrupem em finas camadas. Isso altera a transparência da película, produzindo o efeito desejado.

A Audi ainda oferece como equipamento original para o modelo, um "kit" de tratamento da parte externa do pára-brisa, vidros laterais e traseiro, que forma um filme capaz de evitar a adesão da água, permitindo que, a mais de 60 km/h, não seja necessário usar o limpador de pára-brisa porque as gotas de água simplesmente escorrem pela superfície, como acontece, por exemplo, na superfície de uma flor de lis. As lâmpadas do A3 Sportback também têm recursos de nanotecnologia, já que são transparentes, mas emitem luz amarela ou azulada quando estão ligadas.

Os pesquisadores ainda têm um longo caminho a percorrer no desenvolvimento da nanotecnologia no segmento automotivo. Existem estudos para aplicar esta tecnologia nos revestimentos de anéis de vedação, pintura auto-reparável em caso de pequenos danos ou pneus com camadas que os tornariam mais resistentes ao calor e ao desgaste, sem perder a aderência, entre outros equipamentos.