Antigomobilistas adeptos das corridas de carros provavelmente lembram de quando, nos idos de 1969, no Autódromo de Pinhais/PR, preparando seu carro para prova do dia seguinte, o piloto Luiz Pereira Bueno capotou seu BMW Schnitzer, ficando alijado da competição.

Nesse mesmo ano, ele foi à Europa fazer parte da equipe de Fórmula Ford de Stirling Moss. Agora, mal acabamos de ler o livro “Paixão e Técnica ao Volante” por ele escrito e patrocinado pela empresa Mahle Metal Leve S/A, no qual relata a história de sua vida como piloto, acabamos de tomar conhecimento do seu falecimento, ocorrido há poucos dias, vítima de câncer.

Quem foi Luiz Pereira Bueno e qual sua importância como piloto, construtor e preparador de carros de corrida no processo de desenvolvimento do automobilismo de competição brasileiro?

A resposta pode ser bem simples: foi um dos responsáveis por esse processo na era “Pós Carreteiras”, ou seja, a partir do final da década de 1960, quando se tornou o primeiro piloto profissional brasileiro.

Nascido na capital de São Paulo em 1937, já aos 13 anos de idade dirigia carros esportivos, disputando oficialmente a primeira prova em 1956, no Autódromo de Interlagos/SP, pilotando um Fiat Ghia 1.200cc.

Dali para frente não parou de competir e em 1958, neste mesmo autódromo, participava de uma Mil Milhas Brasileiras, em dupla com o piloto Bird Clemente. Suas vitórias foram muitas, obtendo cinco vezes o título de Campeão Brasileiro, alem de vencer por três vezes os “500 Quilometros de Interlagos”, sendo a primeira delas em 1966, quando pilotou um Alpine Renault A-110 preparado por Toni Bianco.

Venceu ainda muitas provas com os famosos Bino Mark I e Mark II, desenvolvidos por este preparador. Outras vitórias importantes vieram ao volante dos carros das equipes da Willys brasileira e da Hollywood.

Em 1966 e 1969, “Peroba”, apelido pelo qual era conhecido no mundo das competições, foi eleito “Piloto do Ano” e em 1967 venceu, pilotando um Porsche 911, a Mil Milhas Brasileiras.

Atingiu o ponto máximo das competições automobilísticas no mundo, quando, em março de 1972, pilotou um March 711 na primeira prova – experimental – de Fórmula 1 no Brasil, ocorrida no Autódromo de Interlagos.

Pelo seu desempenho, já na primeira prova oficial desta categoria no país, no mesmo local, em 1973 – I Grande Prêmio do Brasil – vencida por Emerson Fittipaldi com um Lotus/Ford, correu com um Surtees TS913, chegando em décimo lugar depois de pane elétrica em seu carro.

Desaparecem os homens, mas, permanecem suas obras. Sem dúvida, a obra de Luiz Pereira Bueno deve ter servido de incentivo a muitos pilotos que o sucederam!

Em 2009, com seu Maverick V8, da Equipe MFG Racing Team.