Os estudos realizados por encomenda do Terminal Portuário da Ponta do Félix, em Antonina, indicaram que, no assoreamento das áreas próximas a Antonina, no fundo da bacia de Paranaguá, a presença de metais pesados se refere a elementos da própria natureza, transportados pelos rios da Serra do Mar que deságuam em Antonina.

Ao fazer essa revelação, na primeira mesa redonda sobre Sistema de Gestão e Certificação Ambiental Portuária, na tarde do primeiro dia do seminário internacional Gestão Ambiental Portuária, que vai até 11 de agosto, no Hotel Camboa, em Paranaguá, promovido pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), o diretor do Terminal da Ponta do Félix, Juarez Morais, adiantou que os estudos finais ficarão prontos nos próximos dias.

Para ele, se os pareceres forem considerados pelo Ibama na análise do licenciamento ambiental das obras de dragagem dos berços e canais de acesso dos portos de Paranaguá e Antonina, ?poderá haver uma economia considerável de investimentos?, quando da definição do destino do lodo removido do fundo da baía.

?Acreditamos que os sedimentos em Paranaguá tenham a mesma composição dos encontrados em Antonina. Isso pode significar a possibilidade de deposita-lo em áreas de expansão do porto ou próximas, sem necessidade de uma tubulação de 50 quilômetros para jogar em alto mar, por exemplo, que oneraria muito a dragagem?, afirmou Juarez Morais.

O painel teve a participação do diretor da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Carlos Santos Amorim Jr; do Diretor de Desenvolvimento Empresarial da APPA, Rui Alberto Zibetti; do representante da Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios, Celso Romero Kloss; e do representante da Câmara Americana de Comércio (Amcham), o advogado Marcelo Neves Macieywski.

Especialista em direito ambiental, o advogado alertou para a importância de que todos compartilhem do esforço para a aprovação de normas e atitudes de gestão e segurança ambiental, já que num ambiente onde atuam vários agentes (públicos e privados) como o dos portos, a responsabilidade em caso de dano ambiental é solidária.

O Porto e a cidade

A responsável pela gestão ambiental das operações portuárias e segurança do Porto de Leixões, em Portugal, Graça Maria Oliveira, participou, nesta terça-feira, da mesa redonda sobre ações e integração entre portos e as comunidades de seu entorno, durante o seminário internacional de Gestão Ambiental Portuária. Graça Maria Oliveira mostrou como a Administração dos Portos do D?Ouro e Leixões (APDL) tem buscado revitalizar algumas zonas às margens do Rio D?Ouro, outrora utilizadas como cais de embarque, e que estavam degradadas.

Segundo a palestrante, as intervenções realizadas até ao momento tentam devolver as margens do rio à cidade, criando espaços de lazer que seguem elevados padrões arquitetônicos. Graça Maria também destacou as ações voltadas para às questões ambientais e de segurança do Porto de Leixões, destacando que a relação entre portos e comunidade passa pelo cumprimento de elevados valores ambientais e de segurança.

Graça Maria disse que apesar do caráter comercial, o Porto de Leixões tem uma intervenção ativa na diretrizes social e cultural.

Segundo ela, além das intervenções efetuadas nos espaços junto às margens do Rio D?Ouro, a APDL converteu, junto da área portuária, espaços desativados em duas infra-estruturas de apoio à comunidade: um Centro de Formação Profissional, que atende não só a comunidade portuária de Leixões, mas também jovens que querem entrar no mercado de trabalho; e um Auditório, onde são organizadas conferências, encontros, seminários, exposições, quase sempre a partir de temas marítimo-portuários, que potencializam maior aproximação da população com o porto.

Um dos projetos mais recentes da APDL é a exposição ?Leixões – Identidade e Memória de um porto?, que procurou sinalizar diversas dimensões que integram o processo de construção do Porto de Leixões, desde a infra-estrutura até a memória de mais de um século de obra e vivência portuária.

?De fato é uma preocupação constante do porto o equilíbrio entre os ambientes portuário e urbano. Acredito que faz todo o sentido tratar o tema ?Portos e Comunidade? num Seminário dedicado à Gestão Ambiental Portuária, pois a minimização dos impactos ambientais decorrentes da atividade portuária é fundamental para o bom relacionamento com a comunidade envolvente?, afirmou Graça.

Uma das preocupações do Porto de Leixões é com o controle das águas de lastro dos navios. Em vez de ajustes a cada cinco anos, como reza a norma internacional, as autoridades portuárias revisam os critérios a cada dois anos, informou Graça.

A relação porto-cidade vem sendo abordada em diversos portos do mundo e mereceu destaque no Seminário em Paranaguá por tratar-se de um assunto prioritário para a APPA. A mesa de debates reuniu ainda Ana Cláudia Bento Graf, da Procuradoria Geral do Estado do Paraná; Almir Bressan, Secretário de Indústria e Serviços do Estado do Espírito Santo; Isabel Pont, do Porto de Barcelona; Adalmir José de Souza, Presidente da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (ABEPH). O grupo falou sobre as ações de integração e suas experiências.