O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou hoje durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto, que o Plano Real, após várias experiências heterodoxas e mal sucedidas de combate à inflação, foi bem sucedido no controle de preços, mas o prolongamento da âncora cambial tornou-se inconsistente, causando forte deterioração das contas externas brasileiras. ?Com isso, combinado com a política fiscal frouxa nos primeiros anos do Real, foram necessárias taxas de juros mais elevadas, resultando em um forte aumento da dívida pública?, disse.

O ministro demonstrou aos conselheiros que essa dívida precisou ser financiada por uma crescente carga tributária, que em grande medida foi destinada ao pagamento de despesas obrigatórias. Para ele, a partir de 1999, iniciou-se uma processo de ajuste que não se completou e, no final de 2002, as condições macroeconômicas apresentavam grave quadro de deterioração, queda da absorção doméstica, elevação da taxa de inflação, com queda da renda real, elevação da taxa de juros de mercado e saída significativa de recursos da economia brasileira.

Palocci afirmou, no entanto, que para contornar a situação o governo Lula implementou avanços para consolidar a estabilidade macroeconômica do País. Ele disse que as medidas de política fiscal e monetária adotadas, em um ambiente de metas de inflação e flexibilidade cambial permitiram, rapidamente, recuperar a confiança dos agentes econômicos e reverte o quadro de deterioração dos indicadores.

Além disso, o ministro destacou que foi adotada uma política fiscal responsável, baseada na contenção de despesas e um política monetária forte, para combater o surto inflacionário do final de 2002.

Dois outros pontos foram considerados relevantes na explanação do ministro: a melhora significativa das contas externas e na composição da dívida pública. Através de gráficos, Palocci demonstrou, ainda, que sob efeito dessas políticas a inflação, que em janeiro de 2003 estava em 17,2%, caiu em abril deste ano para 5,3%, e os juros reais, que julho de 2002 estavam acima de 20%, e caíram para algo próximo de 10 % no mês passado.