Um casarão do século 19 é a nova atração gastronômica e cultural de Curitiba. A Casa do Barão Bistrô e Arte, um imóvel de 600 metros quadrados, reúne em 12 cômodos  um empório, sala para degustação de vinhos, sala gastronômica, cybercafé, revistaria e mini-livraria, bistrô e sala de reuniões para pequenos grupos. A Casa do Barão é também espaço cultural para exposições, lançamentos de livros e pockets shows.

Logo na entrada, um gigantesco lustre secular dá o tom do local, decorado com móveis atuais e antigos que estão na família Gomes, responsável pelo empreendimento, há quatro gerações. É um lugar único, com pé direito duplo e grandes janelas que dão para a praça Eufrásio Correia, considerada a mais bonita de Curitiba, em frente à antiga estação de trens da cidade.

A Casa do Barão é um convite irresistível para almoços, happy hours ou mesmo para um simpático chá à tarde. Os pratos foram criados pelo chef  Francisco Minoli e inclui sanduíches, crepes, massas, saladas, sopas, petiscos e doces, além dos cafés especiais, fornecidos pela Kassai Café. O cardápio, em formato de jornal, é escrito com a grafia da época. ?Queríamos um espaço agradável e de estilo. Um local para se reunir com amigos, fechar negócios, celebrar com a família?, diz Eleonora Gomes. A Casa do Barão atende de segunda a sábado, das 10 horas da manhã às 2 horas da madrugada.

História

Sem data precisa de sua construção, a Casa do Barão aparece em fotos de 1890, quando ocorriam festejos militares e pátrios em frente ao Palácio do Congresso, hoje a Câmara Municipal de Curitiba. O imóvel em estilo neoclássico de três pisos é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual e serviu, desde a sua construção, tanto para moradia como para comércio.

Localizada em frente à praça Eufrásio Correia, a casa foi uma das primeiras a serem construídas na Rua da Liberdade, atual Barão do Rio Branco, em função do movimentado comércio de exportação de erva-mate e madeira de pinho pela ferrovia Curitiba ? Paranaguá.

Após o auge das exportações pela ferrovia, a economia brasileira tomou novos rumos e, tanto a madeira como a erva-mate, sofreram drásticas reduções de venda. Somados a isto, o governo federal começou a incentivar a população a usar automóveis. Em decorrência da novidade, o transporte ferroviário foi cada vez menos utilizado. Na década de 70 a estação ferroviária de Curitiba foi desativada e, conseqüentemente, o comércio ao seu redor foi fechando aos poucos suas portas. Segundo registros na Prefeitura Municipal de Curitiba, o casarão foi abandonado no fim dos anos 70.

Em 1995, o empresário Júlio Zugman comprou o imóvel como parte dos investimentos de sua empresa, mas somente em 2003 foi iniciado o restauro. Apesar de estar fechada há muitos anos, a casa estava em péssimo estado mas não estava tão danificada como as demais que compõem o conjunto arquitetônico tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual.

Para recuperar o imóvel, foi chamada a arquiteta especialista em restauro, Clarisse Gomes. Ela fez um levantamento minucioso das necessidades de cada um dos ambientes. Havia muito cupim, infiltração e parte das peças de madeira e do piso estavam destruídas. Antes de começar a primeira remoção de tinta, foram distribuídos cadernos com a história da casa para os pedreiros e mestres de obra. ?Não podíamos correr o risco de desrespeitar a obra. Não somos os autores da casa, apenas a restauramos?, disse Clarice.

O trabalho delicado incluiu a raspagem das paredes, para se descobrir a cor original, a produção artesanal do ladrilho hidráulico ? que reveste o piso térreo e o terraço -, de esquadrias, portas, escadas e os forros de estuque (engradamento de madeira revestido com argamassa de gesso). A casa recebeu também instalações elétricas, hidráulicas e de telefonia.

A Casa do Barão é um imóvel único na cidade pelas particularidades em sua planta. O primeiro item que chama a atenção é o grande portão lateral, possivelmente usado por charretes, o que não era usual para a época. Uma distinção é a porta de entrada centralizada, que divide os cômodos da casa de forma simétrica: são três ambientes iguais para cada lado, em cada andar. Outra particularidade é o pé direito de 4,40 metros e as janelas com 1,30 m de largura.

Com o restauro concluído, surge em 2004 o primeiro esboço do que seria a Casa do Barão, um projeto do casal Eleonora Gomes e Luiz Fernando Tonidandel que, mais tarde, teve a adesão da mãe, Maria Cecília Gomes, e dos irmãos, Eduardo e Eliane.
Com a abertura da Casa do Barão Bistrô e Arte, Curitiba ganha a recuperação de um imóvel histórico e um novo espaço gastronômico e cultural.

Serviço
Casa do Barão Bistrô e Arte
Rua Barão do Rio Branco, 763, tel (41) 3232.0203
De segunda-feira a sábado, das 10h às 2h
www.acasadobarao.com.br