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Um Bolshoi em vôo alto

  • Por Aml
Alunos festejam aniversário da escola
com um convidado ilustre: realizações
do presente e do futuro.

A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil caminha para seu quarto ano sonhando com uma sede projetada por Oscar Niemeyer e recebendo alunos bolsistas do Nordeste. Estes foram os presentes anunciados durante a festa de terceiro aniversário, nesse fim de semana em Joinville-SC. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cinco ministros, entre os quais Gilberto Gil, e os governadores Luiz Henrique da Silveira (SC) e Roberto Requião (PR) estavam entre os convidados especiais.

Autor de 500 projetos arquitetônicos no Brasil e no exterior, Niemeyer somente agora, e aos 95 anos, foi convidado para projetar uma escola de dança. Ausente da festa porque ontem estaria com o presidente Lula em Brasília (o arquiteto não viaja de avião), coube ao seu colega Jair Valera, que também desenvolveu o projeto do Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, adiantar as dimensões da futura sede.

Com capacidade para abrigar de oitocentos a mil alunos, a Escola Bolshoi terá trinta salas de aula, um teatro com capacidade para 500 pessoas, além de biblioteca, dependências administrativas e alojamentos para alunos residentes. O terreno ainda não foi definido, conta Jair Valera, razão pela qual ainda não se tem nem esboço da construção. Mas a sede ocupará entre 16 mil e 20 mil metros quadrados, dependendo do terreno ser íngreme ou não. O custo pode alcançar R$ 20 milhões.

“Se tiver toda a verba disponível, a construção fica pronta em um ano. O museu em Curitiba foi feito em seis meses”, compara Jair Valera, lembrando que a construção paranaense tem 30 mil metros quadrados. (Infelizmente desocupada a maior parte do ano).

Nos alojamentos, como um apart-hotel, estarão morando os alunos bolsistas. Atualmente com 300 alunos, a Escola Bolshoi reserva 80% de sua capacidade para crianças carentes. E dentro dessa filosofia, a escola abre vagas para alunos do Nordeste, que serão selecionados da rede escolar pública.

Já estão integrados ao projeto Fome Zero – Cultura a 1000, os governos de Pernambuco, Paraíba, Piauí e Goiás. José Wellington Dias, governador piauiense, e o prefeito Cícero Lucena, de João Pessoa, ao conhecer a escola, emocionaram-se com o esforço e o talento dos meninos, principalmente sua luta para enfrentar preconceitos.

João Pessoa é a primeira capital a fazer a parceria com a escola. “Em maio já estaremos fazendo os testes com cinco crianças para a seleção”, anuncia o prefeito Cícero Lucena, observando que a prefeitura subsidiará os estudos e a bolsa-residência em Joinville.

Os futuros bailarinos são obrigados a manter-se na escola regular e em caso de nota inferior a sete perdem a vaga. O curso de dança é rigoroso, como exige a centenária matriz em Moscou. “Não conduzimos um projeto assistencialista. A Escola do Teatro Bolshoi é um projeto de formação profissional de alto cunho social”, repara sempre Jô Braska Negrão, paranaense que dirige a escola e que a implantou em Joinville com João Prestes. (O casal morou muitos anos em Moscou.)

Do palco do Centreventos de Joinville, após ver a dança das crianças, o presidente Lula disse ter tido uma aula de cultura, perseverança e crença no povo brasileiro. Gilberto Gil, ministro da Cultura, percebeu: “Há necessidade que se multipliquem pelo País centros de excelência como esse”.

A gaúcha em Moscou

Com apenas três anos de vida, a Escola Teatro Bolshoi envia uma aluna para estagiar no Bolshoi da Rússia, que tem três séculos de existência. A seleção da gaúcha Raquel Steglich para dançar por um ano e meio com a companhia moscovita já foi anunciada aqui e em todos os meios de comunicação, pois trata-se da primeira bailarina brasileira a conquistar uma vaga no Bolshoi. Ela participou da festa de aniversário da escola, enquanto se prepara para a viagem.

Raquel, de 19 anos, 43 quilos e 1,59m de altura, viaja na próxima semana, dependendo da emissão do visto. Enquanto isso estuda russo. Ela foi selecionada em janeiro, em Moscou, e lá, o que mais lhe chamou a atenção foi o interesse pela dança.

“As crianças vão assistir as aulas, as classes ficam lotadas. As crianças participam da vida cultural bem cedo”, observa com seu jeitinho todo romântico. E é com suavidade que Raquel diz ter Gisele entre seus bailados prediletos, que não teme ficar sem a família (o pai, Valdir, fica com ela só a primeira semana) e amigos por tanto tempo, pois está realizando um sonho. “Ainda estou comemorando…”.

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