Paranaguá.

A partir de hoje a Paraná Educativa lança um olhar sobre a diversidade cultural do Brasil. A série DOCTV II (Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro) apresenta 35 documentários inéditos. O programa promovido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura e a Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais) regionaliza a produção dos filmes, articula uma rede nacional de teledifusão e fortalece a parceria entre tevês públicas e produtores independentes. Os projetos selecionados receberam R$ 100 mil, para elaborar um documentário com 55 minutos de duração. O resultado pode ser visto todos os domingos, às 23h, com reapresentação nas quintas, às 24h.

Durante o processo de elaboração dos filmes, os projetos vencedores foram acompanhados pelas tevês públicas e Ministério da Cultura. A série DOCTV II é fruto deste trabalho, que contou com cursos de formação para todos envolvidos nos documentários. Foram 25 encontros que levaram os realizadores a uma reflexão e amadurecimento da proposta estética de suas produções. As oficinas foram ministradas por diretores de cinema representantes de diferentes linhas estéticas, como Geraldo Sarno, Jorge Bodanzky, Joel Pizzini, Maurice Capovilla e Eduardo Coutinho.

Participam do DOCTV, os 27 estados do País. A grande maioria premiou apenas um projeto, mas o Paraná, por ter tradição na produção audiovisual e contar com uma tevê pública atuante, foi contemplado com dois vencedores. Uma das características da seleção é que a comissão julgadora não sabe quem são os proponentes dos projetos. Isto proporciona igualdade de condições entre os concorrentes, já que não é analisado o histórico profissional, mas sim a idéia do documentário. Dentro dos critérios definidos no regulamento do concurso, foram selecionados Zequinha Grande Gala, de Carlos Henrique Túlio, com exibição marcada para 18 de dezembro, e Antonina, Morretes e Paranaguá Unidas pela História, de Maria Fernanda Cordeiro, que vai ao ar no dia 22 de janeiro.

Imaginário popular

Zequinha Grande Gala faz um retrato da expressão e comunicação popular no Estado. As figuras das balas Zequinha surgiram em 1929 e foram distribuídas por todo Paraná. O documentário aborda aspectos relevantes do inconsciente coletivo e a busca de uma identidade paranaense. Carlos Henrique Túlio constrói um audiovisual com técnicas digitais e analógicas, que demonstram o clima lúdico e alegre que as balas Zequinha exerciam sobre seus colecionadores.

Para melhorar a arrecadação dos impostos, o governo do Paraná, lançou, em 1979, uma campanha com a imagem do Zequinha. Neste relançamento, houve uma mudança no visual do personagem, que gerou várias polêmicas com os herdeiros da marca. ?O filme não é uma simples história da figurinha?, garante Túlio. A intenção do realizador é transferir, com originalidade, para o documentário o espírito das figurinhas, que marcaram a infância de várias gerações de paranaenses.

Tradição

O documentário Antonina, Morretes e Paranaguá apresenta a gastronomia e cultura do litoral paranaense. O objetivo de Maria Fernanda é retratar a história das três cidades litorâneas, utilizando como elo de ligação o barreado, prato típico mais conhecido do Estado. As diferentes versões dos municípios sobre o surgimento barreado e o crescimento da região serão mostradas neste vídeo.

Existem diferentes versões dos municípios sobre quem criou a iguaria. A origem do nome vem da expressão ?barrear a panela?, ou seja, vedar com pirão de farinha de mandioca e cinza para não se perder a fervura. Simples e ao mesmo tempo exótico, o prato no folclore do Estado é símbolo de fartura. As filmagens e entrevistas aconteceram durante o carnaval deste ano. Os diretores do filme não utilizam a voz de um locutor para contar a história, a narrativa é feita pelos próprios personagens.