O grupo Caleidoscópio de Brasília, que participou do fringe pela primeira vez no ano passado com a peça Cascudo, agora retorna com Striptease, peça inspirada em texto do autor polonês Slavomir Mrözek. Esta nova montagem com direção de Júlio Cruccioli apresenta dois personagens arquetípicos cujas atitudes opostas e complementares traduzem o comportamento do ser humano diante de situações impeditivas. Os atores André Amaro e Fabiana Tenório interpretam um jovem casal que é impelido por uma força estranha para dentro de um recinto onde há apenas uma porta e dois bancos. Os dois personagens, iguais na aflição, no medo e na dúvida, agem porém como contrários. Forçados a enfrentar o desconhecido, buscam uma saída, cada qual utilizando o seu método característico de raciocínio.

Ele é um tipo passivo, que acredita na “liberdade interior” e defende sua dignidade pessoal a fim de manter o controle da situação. Ela é pragmática e acredita na “liberdade exterior”. Os dois, porém, são dominados pela “coisa”, uma luz que pisca e os obriga a tirar a roupa, numa espécie de jogo de adivinhações.

A montagem brasiliense de Striptease inclui trechos de outros autores do teatro do absurdo como Eugène Ionesco, Samuel Beckett. Com isso, a direção procura valorizar a argumentação dos personagens sem esvaziar a essência do texto de Mrözek.

Teatro do absurdo

Slawomir Mrözek (1930) é um dramaturgo polonês que escreveu várias peças que se enquadram perfeitamente na tradição européia do teatro do absurdo. O termo foi usado para classificar certos dramaturgos que escreviam durante a década de 1950, principalmente franceses, cujo trabalho se considerava como uma reação contra os conceitos tradicionais do teatro ocidental.

Muitas das preocupações desse teatro encontram sua motivação teórica nos escritos de Antonin Artaud em “O teatro e seu duplo” (1938) e, de alguma maneira, na noção brechtiana de “efeito alienante”, enquanto que a comicidade bufonesca tem suas raízes nos filmes de Charles Chaplin, Stan Laurel e Oliver Hardy, os irmãos Marx e Buster Keaton.

O que têm em comum é a rejeição generalizada ao teatro realista, uma base sociológica e a apresentação de uma realidade grotesca. Subvertem a crença de que o mundo tem sentido ao mostrar suas contradições. Em todas elas, os personagens podem trocar de sexo, personalidade ou status.

Serviço:
Striptease – dias 21 e 28 às 18h, dia 22 e 24 às 21h, dia 23 e 26 às 24h e nos dias 25 às 15h e 27 às 12h.
Teatro Cultura – Praça Garibaldi, 39 – Largo da Ordem -telefone: (41) 224-7581 – ingresso R$ 10,00 e R$ 5,00.