Rio – As professoras de arte Neide Duarte e Mércia Leitão nunca se conformaram com a ignorância das crianças brasileiras a respeito de nosso maior arquiteto, Oscar Niemeyer, apesar de muitas delas, no Estado do Rio, estudarem em escolas projetadas por ele (os Cieps, construídos no governo de Leonel Brizola). Procuraram e não encontraram uma biografia para alunos recém-alfabetizados e por isso escreveram Oscar, Arquiteto dos Sonhos (Scipione, R$ 21,90) que foi lançado na 12.ª Bienal Internacional do Livro e já está nas salas de aula do ensino fundamental.

?Partimos de textos dele contando como seus sonhos de menino viraram prédios e monumentos que projetou para mostrar que a criatividade está em todas as atividades?, diz Mércia.

O texto foi submetido a Niemeyer que, segundo as autoras, aprovou e ficou feliz de servir de instrumento para crianças aprenderem a transformar sonhos em realizações. ?Propositalmente não demos ênfase aos dados históricos de sua vida, embora no fim do livro haja uma pequena cronologia. Acreditamos que as crianças aprendem muito melhor com a fantasia. Além disso, fizemos literatura, muito mais que um texto pedagógico.?

Além de aprovar o texto das duas, Niemeyer lhes cedeu também croquis de suas obras, que a ilustradora Patrícia Lima usou como base dos desenhos. O arquiteto, hoje com 97 anos, aparece como um menino. No texto, um pássaro o encoraja a soltar a imaginação e observar a natureza, duas recomendações que as autoras passam para seus leitores. ?Mas nosso texto é literário e não pedagógico?, avisa Mércia. ?Pega de crianças já alfabetizadas até a 8.ª série.?

As duas são veteranas nessa literatura. Professoras há três décadas (?Fomos normalistas e nos especializamos?, conta Neide), elas têm outros três livros sobre arte brasileira. Uma Aventura no Mundo de Tarsila, em que uma mãe tira férias e sai a passeio pelos quadros da pintora modernista; Um fotógrafo diferente chamado Debret?, sobre o francês que primeiro nos mostrou nossa cara, e Em Cena Rex: Apresentando Ângelo de Aquino. ?Um artista de cada época, para mostrar nossa riqueza cultural?, explica Neide. ?Fizemos Niemeyer porque é um personagem vivo da história. Temos prontos, à procura de editora livros, sobre Di Cavalcanti, Portinari e Guignard e agora vamos escrever mais um sobre Burle Marx, outro artista importantíssimo mas pouco lembrado.?