Encarnação do demônio, o novo filme de José Mojica, não é para quem tem estômago fraco. Cenas que envolvem baratas e uma jovem saindo de dentro de um cadáver de um porco são apenas alguns exemplos das tomadas, que, sem nenhum efeito especial, tornam o filme realmente assustador. O longa participa da 3.ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul e já tem estréia em Curitiba confirmada para o próxima sexta-feira.

Para participar do festival, Mojica esteve em Curitiba e conversou com a equipe de reportagem de O Estado sobre a produção de seu último filme. “Encarnação do demônio é realmente a maior produção da minha carreira. Nela estão envolvidos mais de 70 técnicos, 600 figurantes e um orçamento digno de um grande filme. Estou muito feliz com o resultado”, conta Mojica.

Encarnação do Demônio é a terceira parte da trilogia iniciada com o clássico À meia-noite levarei sua alma (1964) e Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967).

O filme conta a história do coveiro Zé do Caixão, que após 40 anos preso, finalmente é libertado. De volta às ruas, ele está decidido a cumprir a meta que o levou à prisão: encontrar a mulher que possa gerar seu filho perfeito.

Em seu caminho pela cidade de São Paulo, ele engravida sete mulheres e deixa um rastro de horror, enfrentando leis não naturais e crendices populares. Mojica traz uma boa notícia aos seus fãs.

“Se o povo achar que a série deve prosseguir, eu prossigo. Não é o fim da trilogia, pois no final do filme, há um sinal indicando que o Zé do Caixão não morreu. Tudo depende do publico”, diz.

Uma das cenas mais comentadas pela crítica é quando uma das sete mulheres, interpretada pela atriz Janete Tomiita, de 22 anos é libertada, nua e ensangüentada, por Zé do Caixão da barriga de um cadáver de porco.

“Fiquei muito nervosa ao fazer a cena. Me preparei psicologicamente e, como se estivesse em transe, entrei no porco. Enquanto estava lá, lembro de ter rezado muito enquanto ouvia as vozes de todos lá fora”, relata a atriz.

Ela conta ainda que depois que entrou no cadáver do animal, poderia continuar lá o tempo que fosse. “A parte mais difícil foi entrar no porco. Para o espanto de todos no estúdio, terminei a cena numa boa. Fiquei mal depois de uma semana quando vi uma filmagem feita por uma amiga que mostrava eu saindo do animal. Achei tudo muito bizarro, mas ao mesmo tempo, fiquei muito feliz com o resultado e também de trabalhar com um grande ícone como Mojica”, finaliza.