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Motti Lerner fala sobre amor e fé

  • Por Estadão Conteúdo

Motti Lerner é um ateu “ameaçado e desafiado pela ideia de Deus”. Ou, pelo menos, é assim que o dramaturgo israelense se define. Autor da peça Amor Profano – em cartaz no Teatro Raul Cortez e estrelada por Vivianne Pasmanter e Marcello Airoldi – Lerner desembarcou no Brasil, esta semana para uma agenda intensa de compromissos. Sábado, 2, e domingo, 3, participa de debate após o espetáculo, na terça, 5, ministra workshop na Casa das Rosas e na quarta, 6, reúne-se com alunos da escola de teatro Célia Helena.

A questão da religiosidade, fundamental na peça escolhida por Pasmanter, está presente em toda obra de Lerner “Esses temas me perseguiram desde o fim dos anos 1970, quando trabalhando como diretor assistente e uma pesquisa me levou à comunidade ultraortodoxa de Mea shearim – o bairro onde se passa o 1.º ato”, revelou em entrevista exclusiva ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

No espetáculo, Vivianne e Airoldi interpretam um casal que vive um inusitado triângulo amoroso com Deus. Os personagens Hannah e Zvi cresceram em uma comunidade ultraortodoxa em Jerusalém, mas se divorciam quando Zvi opta por seguir uma vida secular. O reencontro deles é descrito pelo autor como um confronto de amor, fé, entre outros temas. Indagado sobre os conflitos amorosos atuais, Lerner arrisca palpites. “O contexto cultural que se transformou dramaticamente nos últimos 500 anos, afetou os relacionamento.”

Não é apenas em Amor Profano que a comunidade ultraortodoxa judaica, conhecida como haredim, está retratada na ficção disponível no Brasil. Recentemente, a série Shtisel, que aborda o mesmo universo, estreou na Netflix. Para Lerner, é natural que exista curiosidade sobre esses costumes, porém lamenta que poucos se interessem profundamente sobre o tema, explorando a complexidade da fé e seu conflito com a secularidade: “Sou muito tolerante com as diferenças entre o mundo religioso e o secular. Mas sou muito intolerante sobre a utilização da religião e dos valores religiosos na política”, diz.

A escolha de a peça se passar em Jerusalém, centro de polêmicas, também foi intencional: “É uma cidade muito difícil. Aceito o fato de que é um lugar sagrado para três religiões, mas não o fato de que essa luta pelo sagrado vem criando ódio e violência”.

Sobre o boicote cultural realizado contra autores israelenses, Lerner afirma que a ação “não serve aos seus propósitos”. “Compreendo as críticas às políticas e às ações militares de Israel. Eu mesmo as critiquei durante a minha vida. Mas, na prática, o boicote a artistas e autores enfraquece a luta para mudar a situação e diminui as chances de levar ao fim da ocupação do povo palestino.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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