Esta é uma aquarela sobre papel, sem título, de 1929.

A exposição Cícero Dias – oito décadas de pintura, que estará no Museu Oscar Niemeyer, a partir de terça-feira, dia 30, será composta de aproximadamente 200 obras e fará uma retrospectiva da obra completa do pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003). Considerado um dos mais importantes artistas brasileiros do século 20, Cícero Dias foi o pioneiro do surrealismo e da abstração na América Latina.

Ele foi contemporâneo e amigo de artistas e intelectuais que viveram o auge do período modernista, como o espanhol Claude Picasso. Esta é seguramente a maior e a mais abrangente exposição que já se fez do artista com obras selecionadas nas oito décadas de sua produção, revelando toda a trajetória da produção do pintor, que viveu em Paris de 1937 a 2003, quando faleceu. Entre as obras exibidas está desde o primeiro quadro pintado pelo artista aos 14 anos, datado de 1921, até as últimas produções da década de 90. A mostra reúne obras de colecionadores particulares e museus, no Brasil e no exterior. ?Há uma série de obras de grande importância, oriundas de coleções brasileiras e francesas, muitas delas inéditas no Brasil, como a obra que Cícero Dias trocou com Picasso, em 1940, chamada Distante, da coleção particular do filho do pintor espanhol, Claude Picasso?, afirma o curador e organizador da mostra em Curitiba, Waldir Simões de Assis Filho. Além de trabalhos inéditos, a exposição também exibe a obra considerada a mais emblemática da produção de Cícero Dias, o mural Eu vi o mundo…, ele começava no Recife, de 2m x 12m, pintado no auge do modernismo brasileiro entre 1926 e 1928. Destacam-se ainda a apresentação dos painéis da fase abstrata que compõem as paredes da sala de jantar da casa do artista, em Paris, removidos e trazidos para Curitiba, e os dois grandes painéis, de 6m x 4,5m, que ilustram as revoluções libertárias pernambucanas e o martírio de Frei Caneca. A exposição é organizada em módulos representativos de cada um dos períodos, desde o seu início, na década de 20, até a década de 90. ?Convém lembrar que, principalmente a partir da década de 50, as soluções plásticas adotadas por Cícero Dias em algumas fases não são estanques e exclusivas delas: expandem-se e prolongam-se em outras fases?, ressalta o curador. Parte das obras retrata o período modernista, entre os anos 20s e 30s, e passam pelas fases subseqüentes dos anos 40s, englobando o período de Lisboa, a série Vegetal e o início da desconstrução da forma que vai desaguar na abstração, a partir dos anos 50s. ?Entre os anos 70s e 90s há a consolidação de uma nova figuração. Nela há a interação das formas geométricas e figurativas, surgindo uma pintura figurativa mais estruturada e complexa?, explica Waldir Simões. Os dois grandes painéis, de 6m x 4,5m, que ilustram as revoluções libertárias pernambucanas e o martírio de Frei Caneca, representam a produção mais marcante desse período.

Serviço: Cícero Dias – oito décadas de pintura. Museu Oscar Niemeyer. Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico. Telefone: (41) 3350-4400. Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h. Preços: R$ 4,00 (inteira).