Premiada duas vezes com o Oscar de melhor atriz, o primeiro pela atuação em “Garotos Não Choram” (1999), e o segundo por “Menina de Ouro” (2004), Hilary Swank é dona de um talento reconhecido. E é exatamente por isso que ela parece estar fora do contexto em “A Inquilina”, produção de trama rasa que chega hoje aos cinemas.

Com direção de Antti Jokinen, o longa se passa no Brooklyn, em Nova York. Depois de descobrir que está sendo traída pelo namorado, a médica Juliet Dermer, papel de Hilary, vai morar num hotel e passa a procurar um apartamento. Começam as visitas a espaços minúsculos com preços exorbitantes. Já desacreditada, ela visita um prédio antigo que está em reforma. Lá, conhece Max (Jeffrey Dean Morgan), vizinho e dono do imóvel, que pede um preço baixo para a locação do loft.

Entre um plantão no pronto-socorro e outro, Juliet se muda. Durante a organização da casa, se aproxima de Max, que vive sozinho com o avô no mesmo prédio. O relacionamento entre eles começa a esquentar. O problema é que Juliet não consegue esquecer o ex-namorado e, mesmo tendo sido ela quem deu o primeiro passo para ficar com Max, pede que ele se afaste. Embora pareça compreensivo, o homem mostra sinais de irritação. Além dessa situação desagradável, Juliet se sente ameaçada por uma série de estranhos barulhos vindos da parede de seu apartamento.

 

Nesse momento, o diretor propõe que o espectador refaça os caminhos que levaram os personagens até esse ponto. Num flash-back, Max e o avô estão no hospital onde Juliet trabalha. De longe, lê o nome da médica e depois vê no mural que ela está procurando apartamento. Na cena seguinte, lá está ele seguindo Julie pelas ruas. Quando ela já está morando em seu prédio, ele passa a cumprir um estranho ritual. Diariamente, entra por passagens secretas da construção e permanece observando a médica por longos períodos. Quando ela não está em casa, faz estranhas visitas à casa da mulher. E isso é só o começo.

Uma das grandes falhas da produção é ser incapaz de explicar com alguma lógica o que fez com que Max se tornasse tão obcecado por Juliet. Aparentemente, ele apenas a viu no hospital e bolou um plano maluco para atraí-la até seu apartamento. Não adianta tentar entender sua motivação. Há uma tentativa de ligar o interesse na moça ao fato do pai de Max ter matado sua esposa e se suicidado. Não cola.

Com um enredo que não se sustenta, fica difícil para Jeffrey Dean Morgan, ator que vive Max, criar um personagem que justifique esse perfil amalucado. Depois que Juliet volta com seu antigo namorado, Max passa ainda mais tempo escondido na casa da médica, que, por sua vez, está cada vez mais desconfiada de que algo está fora do normal. O ápice do longa é a descoberta de que, por trás de um senhorio simpático, está um homem transtornado, mas a surpresa não tem força. Apoiada numa série de clichês, o longa-metragem deixa a sensação de que perdeu a chance de aproveitar bons atores para contar uma história verossímil. As informações são do Jornal da Tarde.