Imagens de uma Curitiba saída dos contos de Dalton Trevisan é o que o público irá apreciar na exposição A eterna solidão do vampiro. De autoria do fotógrafo curitibano Carlos Alberto Xavier de Miranda, conhecido pela alcunha de “Nego Miranda”, a obra traz 30 imagens que exploram bem o universo mítico de Trevisan e que fogem dos famosos cartões postais da capital paranaense.

A mostra será inaugurada hoje, às 18h30, na Casa Andrade Muricy. Hoje acontece também o lançamento do livro homônimo do fotógrafo. A exposição tem entrada gratuita e fica até o dia 13 de junho.

Miranda conta que trabalha neste projeto há dois anos e que surgiu devido a sua grande admiração tanto pelo recluso escritor como pela cidade de Curitiba. “Sempre realizei trabalhos voltados para o fotodocumentarismo, como, por exemplo, os registros históricos que fiz de Morretes (município do litoral paranaense). Há quatro anos, tive uma ideia inicial de fazer um trabalho nestes moldes, mas somente em 2008 é que ele apareceu de fato. Sou cativado pela visão que Dalton tem da nossa cidade. Acredito que, mais do que ninguém, ele tem plena noção da alma curitibana”, avalia.

Para realizar esta empreitada, o fotógrafo conta que precisou fazer uma pesquisa literário-iconográfica antes de se aventurar a fotografar. “As imagens são marcas de um possível inventário do Vampiro de Curitiba (nome de um dos trabalhos mais conhecidos de Trevisan). O público deve encarar como uma interpretação minha sobre a obra literária, trazendo para todos uma nova leitura das contínuas transformações que nossa cidade vem sofrendo ao longo dos anos”, afirma.

O fotógrafo conta que está tranquilo com a exposição e acredita que os espectadores devem gostar desta mostra. “Quem está bem familiarizado com os livros do Dalton, certamente irá associar as imagens ao que ele escreveu. Para os que não tiveram a oportunidade de ler o material dele, será uma boa oportunidade de ver uma outra Curitiba e sair daquela coisa um pouco mais óbvia”, garante. Além disso, algumas fotos foram pensadas para trechos específicos da literatura de Trevisan, outras foram feitas e depois encaixadas a partes das obras. “Na exposição, cada frase estará nas fotos apresentadas”, informa.

Embora revele que tenha sido um trabalho que lhe deu muito prazer, Miranda confessa que não foi fácil produzi-lo. “Para captar algumas imagens, como a da nossa neblina típica, precisei acordar cedo, por volta das 5h. Mas nem sempre o tempo colaborava e isso frustrava um pouco. Todavia, estou contente em poder transformar essa ideia em realidade e fiquei satisfeito com o resultado obtido”, encerra.

Serviço

Exposição A eterna solidão do vampiro, de Nego Miranda.Abertura hoje, às 18h30, na Casa Andrade Muricy (Alameda Doutor Muricy, 915). De terça a sexta, das 10h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h. A mostra permanece até o dia 13 de junho e tem entrada franca. Mais informações: (41) 3321-4798.