Os treinadores Bonamigo (à esquerda)
e Caio Júnior.

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É um clássico para ninguém botar defeito. Coritiba e Paraná entram em campo esta tarde (16h, no Couto Pereira) para uma partida decisiva – tão decisiva que ela é considerada uma ?final? para ambos os lados. Uma vitória para o Cori representa a manutenção das chances de classificação; para o Tricolor, significa praticamente a fuga do rebaixamento. Com essa importância, o jogo adquire uma expectativa que ainda não teve em torneios nacionais.

As outras sete partidas entre Coritiba e Paraná em campeonatos brasileiros da primeira divisão não tiveram quase nenhuma importância. No máximo, havia uma equipe disputando uma das oito vagas para a segunda fase ou correndo do rebaixamento – do outro lado, estava um time no pelotão intermediário, já sem ambições no torneio. Isso explica a irrisória média de público nestes jogos – 7.109 torcedores por jogo.

Agora a história é diferente. Os dois times têm porque entrar em campo para buscar a vitória além da rivalidade natural. Depois das duas vitórias seguidas, o Coritiba perdeu na quinta para o Atlético-MG e caiu de oitavo para décimo colocado. Nos três jogos que restam, o Cori não pode nem sequer pensar em perder – as contas alviverdes falam em duas vitórias e um empate, no mínimo. Como o clássico é em casa, a obrigação coxa é vencer.

Do outro lado, apesar da situação na tabela, há mais tranqüilidade. A vitória sobre o Botafogo tirou o Paraná da zona de rebaixamento, colocando a equipe na 18.ª posição. Mas, apesar da festa após o jogo de quinta, todos sabem que ainda faltam pontos, e que uma derrota para o Coritiba seria retornar ao purgatório.

Os dois times vêm de jogos na quinta, e isso também é um fator que pode ser decisivo em campo. Foram partidas desgastantes, e os técnicos Caio Júnior e Paulo Bonamigo evitaram trabalhos mais fortes tanto sexta quanto ontem. “Não posso exigir nada deles”, diz Bonamigo. “É hora de recuperação”, completa Caio. Para ambas as equipes o clássico de hoje é a 23.ª partida de uma sacrificante seqüência.

Seqüência que teve seus altos e baixos. O Coritiba chegou a assumir a liderança do campeonato brasileiro, mas depois caiu e agora luta pelas vagas que restam para a segunda fase. Já o Paraná começou bem, mas não resistiu a alguns adversários e teve que até mudar o comando técnico. Nessas horas, os pontos perdidos ficam martelando a cabeça de jogadores e técnicos: do lado alviverde, as derrotas para Vasco e Guarani e os empates com Palmeiras e Paysandu; do lado tricolor, as derrotas para Guarani e Corinthians, e os empates com Cruzeiro e Atlético.

Para não lamentarem mais, Coritiba e Paraná precisam vencer, e logo. Restam apenas três jogos, e os ?fantasmas? estão à espreita, prontos para tirar o sonho da classificação e empurrar para o abismo da segunda divisão. Por isso, mais que rivalidade, o clássico de hoje vale três pontos. Pontos que serão importantes não só agora, mas no futuro dos dois times.

Ingressos

Os paranistas chiaram, mas o Coritiba cedeu apenas dois mil ingressos para a torcida adversária. Foram colocados à venda quinze mil, nos seguintes valores: arquibancada, R$ 15,00; cadeira inferior, R$ 30,00; cadeira superior, R$ 50,00; menores, mulheres e estudantes, R$ 10,00. Sócios coxas de todas as categorias têm acesso livre ao Alto da Glória.

Clássico é de “vida ou morte” para o Coritiba

Cristian Toledo

Necessidade. A palavra que resume o pensamento do Coritiba para o clássico desta tarde é essa. Afinal, antes de qualquer rivalidade o Cori pensa na classificação, e para isso é fundamental uma vitória contra o Paraná.

Se o adversário luta para fugir do rebaixamento, não é assunto para os alviverdes, que precisam de sete pontos em três jogos para ficar entre os oito melhores do campeonato brasileiro.

E, apesar dos laços que ligam muitos jogadores (e o técnico Paulo Bonamigo) ao Paraná, ninguém quer saber de ?ajudar? o adversário desta tarde. “Só pensamos aqui no Coritiba. O Paraná pode se recuperar depois”, diz o meia Tcheco. “O Paraná não está nessa fase por causa do Coritiba”, completa Lúcio Flávio. Os dois, criados na Vila Capanema, participam pela primeira vez de um clássico contra o time que os revelou. “É uma emoção diferente, mas tenho que estar pronto para ajudar o Coritiba”, diz Tcheco.

Uma ajuda mais do que nunca importante. As contas do Coritiba ficaram extremamente restritas depois da derrota para o Atlético-MG, e agora não há ?gordura? a ser queimada. “A derrota não estava nos nossos planos, e não podemos mais perder. A responsabilidade que temos agora é de vencer, não há outro resultado que sirva”, admite o goleiro Fernando. “É a hora do sacrifício, porque é o momento que vai definir o nosso futuro”, resume Bonamigo.

E o grande retrato alviverde desse sacrifício é o volante Reginaldo Nascimento. Vindo de uma lesão no joelho que o deixou 36 dias fora de combate, o volante voltou contra o Atlético-MG, jogou os noventa minutos (fato que nem mesmo Bonamigo acreditava que fosse acontecer) e foi um dos destaques do Cori. “Ele é um guerreiro, o maior que nós temos por aqui”, elogia o zagueiro Picolli. “Nós temos que buscar o exemplo dele para conseguirmos chegar entre os classificados”, completa Fernando.

Reginaldo garante que não terá problemas esta tarde. “Quanto mais eu treinar e jogar, melhor eu vou ficar”, garante ele, que será mantido na função de terceiro zagueiro. Ele pode ter a companhia de Edinho Baiano, que se recuperou da lesão na coxa e pode voltar à equipe. A defesa coxa garante que não haverá marcação individual sobre Maurílio ou Márcio. “O que eu posso dizer é que nossa forma de jogar será a mesma. Se o Maurílio vier para o meu lado, vou marcá-lo”, adianta Picolli, amigo do destaque tricolor – eles jogaram juntos no Juventude.

E isso é o que Bonamigo quer, apesar de não confirmar a equipe – isso só deve acontecer momentos antes da partida. “Não exijo nada a mais dos atletas. Eles foram excelentes contra o Atlético, e se eu pedir alguma coisa será o resultado”, aponta o técnico, que acredita ter visto em Belo Horizonte a melhor atuação coxa no brasileiro. E, se depender da vontade do elenco, a torcida que for ao Couto Pereira verá um Coritiba mais guerreiro que nunca. “Estamos motivados, preparados e prontos para vencer o Paraná”, promete Fernando.

O Paraná também depende do resultado

Irapitan Costa

“É o jogo da nossa vida.” Foi assim que o técnico Caio Júnior resumiu o clássico desta tarde. Com mais três pontos o Paraná Clube pode dar fim a todo o sofrimento que o acompanhou na maior parte deste campeonato brasileiro. A meta é não mais adiar a permanência na primeira divisão nacional e exorcizar os fantasmas que vêm rondando o clube. O tricolor, após encarar o Coritiba, terá pela frente Grêmio e Figueirense. O treinador voltou a elogiar o empenho dos atletas nas últimas partidas e busca hoje quebrar alguns “tabus”.

Sob o comando de Caio, o Paraná ainda não venceu na condição de visitante – em toda a competição, obteve apenas uma vitória fora de casa (2×1 sobre o Inter) – e o clube não supera o rival, no Alto da Glória, há seis anos. “Escritas existem para ser superadas”, afirmou o artilheiro Márcio. Mesmo estando seis gols atrás de Luís Fabiano (São Paulo), o goleador paranista ainda mantém o sonho de chegar à artilharia do Brasileirão. “Temos só três jogos e sei que é difícil. Mas, vamos à luta”, disse. Márcio já superou sua própria marca e é o maior artilheiro do clube em uma competição nacional – ao lado de Maurílio – com 12 gols.

Márcio reclamou de dores na coxa direita, após o treino de ontem, mas não é problema para o jogo desta tarde. Caio Júnior, porém, preferiu não dar nenhuma dica sobre a formação que iniciará o clássico. Pela primeira vez desde que assumiu o comando do time, o treinador conta com todos os jogadores à sua disposição. Reticente, ele preferiu “não dar armas” ao adversário e pretende anunciar a escalação do tricolor somente momentos antes do jogo. “O Bonamigo conhece muito o nosso grupo e como do lado de lá o time também está indefinido…”.

Caio voltou a elogiar o empenho do grupo neste momento decisivo. Para ele, o Paraná está jogando com muito amor à camisa. “Tenho muito orgulho de dirigir um grupo como este. Existe uma doação total e só por isso conseguimos essas quatro vitórias em casa. Falta agora um pouco mais de equilíbrio nos jogos fora”, reconhece. Mesmo com a cessão de apenas dois mil ingressos para a torcida paranista, o jogo será disputado em estádio neutro. Este é o pensamento dos atletas, que tiveram no Couto Pereira a “sua casa” nas seis primeiras rodadas.

A equipe deverá atuar hoje no 3-5-2. Weligton é opção para a zaga, após cumprir suspensão. Mas, Fábio Luís mostrou segurança diante do Botafogo e por ser mais experiente deve ser mantido. A tendência é que o Paraná venha com a mesma formação da última quinta-feira. A comissão técnica só processou duas alterações em relação à partida anterior. Weligton e Leandro substituíram a Fernando e Dennys, respectivamente, na composição do banco de reservas. Roberto, que mudou o comportamento da zaga neste Brasileirão, garante que o time está com um espírito guerreiro. “Hoje, para nos superar, o adversário tem que jogar muito. Se vier meia-bomba, não chega não”, assegurou.