A Argentina tem um dilema importante para resolver na semifinal contra a Holanda: como escalar a equipe sem o meia Di María, que sofreu uma lesão muscular na partida contra a Bélgica, está fora do jogo desta quarta-feira e tem chances remotas de jogar a final, caso a Argentina passe.

Poucos jogadores no futebol mundial conseguem atuar como meia criativo e, ao mesmo tempo, fechar os espaços como um volante, como faz o meia do Real Madrid. Todas as alternativas do técnico Alejandro Sabella têm o efeito de cobertor curto.

A primeira delas já foi testada com relativo sucesso na vitória contra a Bélgica. Quando Di María sentiu a lesão muscular na coxa direita, Enzo Pérez, meia que joga no Benfica, entrou em seu lugar aos 33 minutos do primeiro tempo. Enzo foi bem. Embora tenha feito sua primeira partida em Copas, jogou como se fosse mais experiente.

Organizou o lado direito, acertou a maioria dos passes, protegeu a subida dos laterais até o meio de campo e foi um bom parceiro para Biglia e Mascherano. “Tive a sorte de estrear numa circunstância tão decisiva e num momento complicado de entrar, quando ainda estava frio. Tenho um sentimento de felicidade incrível dentro de mim. Mas, claro, também fico triste por saber da lesão do Di María”, disse Pérez.

O problema do jogador é a parte ofensiva. Embora tenha se oferecido como opção de passe, Pérez não tem a mesma criatividade nem o dinamismo de Di María. Ele é mais um organizador do que um criador. Também lhe falta o poder de finalização. Antes de ser substituído, Di María tinha criado a melhor chance da Argentina depois do gol de Higuaín. No tempo em que jogou contra a Bélgica, Enzo não chutou a gol.

SEGUNDA OPÇÃO – O jogador que pode substituir Di María na parte ofensiva é o meia Ricky Álvarez, que joga na Internazionale. Ele entrou muito bem na partida contra a Nigéria. Compensou a velocidade menor (quando comparado a Di María) com grande controle de bola e passes criativos. Foi um dos responsáveis diretos por segurar o jogo depois que a Argentina fez 3 a 2 no placar. É um jogador diferente de Di María, no entanto. Na parte defensiva, deixa a desejar.

Se quiser fazer mudança mais radical, mantendo o esquema ofensivo, Sabella pode recuar Messi e fazê-lo atuar mais como armador para Higuaín e Lavezzi – ou Agüero, que está recuperado de contusão. Se desejar fechar o time, como precaução para a velocidade do contragolpe holandês, poderá trancar o meio escalando Maxi Rodríguez.

Qualquer que seja substituto, a Argentina sairá perdendo. Di María foi titular em todas as partidas e o único a dividir com Messi o protagonismo na equipe. Contra a Suíça, por exemplo, foi autor do gol da classificação no final do segundo tempo da prorrogação.

O médico da seleção argentina, Daniel Martínez, afirmou que Di María tem chances de jogar a final, caso a Argentina se classifique. Exames apontaram que a lesão na coxa direita do jogador é grau um, a mais leve, o que permitiria a recuperação. “Como se trata uma lesão leve, existe a possibilidade de Di María jogar a final, se a Argentina estiver lá”, afirmou o médico.

O especialista comparou a lesão de Di María à de Sergio Agüero, que se machucou no dia 25 de junho e, dez dias depois, estava no banco de reservas. No caso de Di María, o período é mais curto, pois a final está marcada para o dia 13 de julho, no Maracanã.