O Brasil encerrou de forma melancólica sua participação no Grand Prix: perdeu para a China por 3 a 0 (25/21, 25/21 e 25/13) e acabou a competição em quinto lugar. A Holanda ficou com o título, ao vencer a Rússia por 3 a 2 (21/25, 25/18, 25/13, 20/25 e 15/8), a China foi vice-campeã e a Itália levou a medalha de bronze, mesmo derrotada no último jogo pela Polônia por 3 a 0 (25/21, 25/18 e 25/19). Se tivesse batido as chinesas, o Brasil poderia tomar o terceiro lugar pelo critério de desempate, o point Average.

Hexacampeãs da competição (1994, 1996, 1998, 2004, 2005 e 2006), o Brasil chegou à fase final com a melhor campanha da etapa de classificação, com oito vitórias e apenas uma derrota. Em Ningbo no entanto, não se encontrou e só conseguiu uma vitória na estréia, diante da fraca Polônia. A equipe se desestabilizou com a derrota para a Rússia, logo no segundo jogo, e depois não conseguiu mais vencer – perdeu para Holanda e Itália, antes da despedida contra as donas da casa.

"Não fomos bem no saque, cometemos erros em bolas fáceis e as chinesas aproveitaram para fazer pontos. No terceiro set, a China dominou desde o início", lamentou o treinador. "Começamos bem, mas depois saímos completamente do jogo", admitiu a levantadora Carol Albuquerque, capitã do time. A atacante chinesa Zhou Suhong disse que a seleção brasileira esteve longe de seu verdadeiro potencial. "O Brasil tem uma equipe versátil, mas não fez uma boa partida.

A seleção chega ao Brasil nesta terça-feira e as jogadoras terão uma semana de folga. A reapresentação será no dia 4 de setembro, do CT de Saquarema (RJ), para iniciar os treinos para o próximo desafio, o Campeonato Sul-Americano, que será no fim do mês, no Chile. O campeão garante vaga na Copa do Mundo do Japão, em novembro, que valerá três lugares na Olimpíada de Pequim.

Zebra holandesa

A surpreendente Holanda, que nunca havia conquistado um título em torneios da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), sofreu para chegar à fase final do Grand Prix: ficou com a quinta e última vaga na etapa de classificação, com seis vitórias e três derrotas, duas delas em jogos contra o Brasil. A virada começou logo na estréia, quando o time bateu a seleção chinesa. A consagração veio com a sofrida vitória contra a Rússia, campeã mundial e vice olímpica.

"Disse às jogadoras antes da partida que era preciso ser paciente, porque a Rússia tem uma equipe mais poderosa do que a nossa. Jogamos com consistência no ataque e na defesa", explicou o técnico Avital Selinger, conhecido no Brasil por ser o levantador baixinho no time de gigantes que foi atropelado pela "geração de ouro" na final da Olimpíada de Barcelona, em 1992 – quando, curiosamente, o técnico brasileiro era José Roberto Guimarães.

Selinger creditou a conquista ao trabalho duro realizado pelas jogadoras. "É uma realização para o nosso país, porque é a primeira vez que a seleção feminina vence uma competição adulta desse nível. Sinto orgulho das jogadoras e aprendi bastante com elas", elogiou o técnico, radiante. "Como jogador, não consegui uma façanha de tamanha importância", disse – ele já havia se aposentado e não participou da conquista da medalha de ouro em Atlanta/1996.

Para Zé Roberto, o título foi mais do que justo. "Após a vitória sobre a China na primeira partida da fase final, a Holanda cresceu bastante e apresentou um voleibol de altíssima qualidade alegre e com determinação. As jogadoras sempre acreditaram nas vitórias", disse o técnico brasileiro. "Elas sempre tiveram problemas de consistência, mas superaram isso e gostam de jogar, se divertem", completou o técnico da China, Chen Zhonghe.