A saída do Reino Unido da União Europeia muda as regras de contratação de jogadores estrangeiros e pode desfalcar quase todas as equipes da Premier League, o Campeonato Inglês. Atualmente, o torneio tem 161 europeus. Deste total, 110 – mais de dois terços – não cumprem os requisitos para o novo visto de trabalho, que seria exigido para um jogador não britânico que queira jogar na Inglaterra. Pelas regras anteriores ao Brexit, jogadores de nacionalidade de um dos países da UE podem ser contratados livremente pelos clubes ingleses.

Um dos critérios para aprovação do visto de trabalho é o número mínimo de jogos internacionais pela seleção nacional. Jogadores de países situados entre os 10 melhores no ranking da Fifa devem ter jogado ao menos 30% das partidas internacionais da seleção nos 24 meses que antecederam a transferência. O porcentual vai subindo para os países pior colocados no ranking.

No Manchester City, Nasri e Navas teriam problemas. O rival, Manchester United, perderia jogadores importantíssimos de seu elenco, bem como Chelsea e Arsenal. O volante N’Golo Kante, do campeão Leicester City, não poderia atuar. Pela mesma regra, Cristiano Ronaldo não poderia ter sido contratado pelo Manchester United em 2003. Se a conta avançar para a Escócia, o número de jogadores afetados subiria para 332 na primeira, segunda e terceira divisão.

O advogado Eduardo Carlezzo, especialista em transferências internacionais de atletas, classifica o impacto na Premier League como “fortíssimo”. “O impacto na Premier League será fortíssimo, especialmente no que se refere à contratação de atletas. O fator nacionalidade é um elemento crucial para o registro, sendo o mercado inglês bastante fechado a outras nacionalidades que não as europeias”, opinou o especialista.

As categorias de base também seriam afetadas. A Fifa proíbe transferências internacionais de menores de 18 anos. Excepcionalmente, atletas com idade entre 16 e 18 anos podem ser registrados por clubes sediados na UE caso cumpram determinados requisitos, por exemplo, morar em regiões de fronteira ou quando os pais conseguem emprego em outro país.

Hoje, muitos clubes se aproveitam dessas brechas para contratar jogadores quando fazem 16 anos. Com isso, os clubes não poderiam mais se valer desta exceção para contratar menores.

Para o advogado, ainda é cedo para avaliar o impacto sobre o futebol brasileiro. “Aos jogadores de nacionalidade brasileira ainda é cedo para afirmar se o mercado inglês ficará mais restritivo”, avaliou o especialista que aposta em alterações. “Devido à mudança de regras que fatalmente ocorrerá, poderá haver maior abertura de cotas para estrangeiros, o que poderia beneficiar os brasileiros”.