A demissão do técnico Allan Aal, do Paraná, pegou muita gente de surpresa no último domingo (1º). Depois de liderar a Série B e permanecer no G4 nas primeiras 10 rodadas, o Tricolor caiu de produção, mas ainda se mantém na briga pelo acesso, na oitava posição, dois pontos atrás do quarto colocado.

Mesmo assim, a instabilidade na competição, que teve uma sequência de sete jogos sem vencer – sendo cinco empates e duas derrotas – fizeram com que o presidente Leonardo Oliveira demitisse Aal e o gerente de futebol Alex Brasil. O técnico Rogério Micale é quem assume o time.

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Em entrevista à Tribuna/Gazeta do Povo, Allan Aal revela que foi pego de surpresa com a demissão e faz a avaliação da sua trajetória no clube.

Leia a entrevista do técnico Allan Aal após sua saída do Paraná:

A sua demissão foi surpresa para muitos. Você também foi surpreendido? Como você foi informado que não seguiria no clube?

Pegou todo mundo de surpresa. Muita gente me ligou perguntando se era fake news. Sei que na minha profissão você está sempre em risco. No domingo à noite, eu tive uma conversa com o Leonardo Oliveira pessoalmente. Nós temos uma boa relação e ele me expôs algumas situações e falou da intenção troca. Eu fui pego de surpresa, não esperava. Não foi me colocado um fator específico para a minha saída. Em respeito a amizade que tenho com o presidente não vou expor nada. Agradeço à todos no clube e principalmente à torcida.

Você foi avisado que poderia ser demitido? Houve algum aviso durante a série de sete jogos sem vencer?

Não, a cobrança era mais nossa da comissão e dos atletas. O Léo [presidente do Paraná] sempre foi tranquilo e passou segurança. Tanto que depois da derrota para o CSA, que foi nosso ponto fora da curva, ele conversou comigo e foi convicto naquilo que ele falava passando confiança. Mas nós sabíamos que estávamos empatando muito.

Você acha que foi prejudicado pelo bom início do time na Série B?

A responsabilidade aumentou em cima de todos nós. A nossa realidade era diferente em relação a maioria das equipes. Nós nos apresentamos dia 2 de janeiro com oito atletas. Foi uma montagem de elenco com quatro ou cinco remanescentes. Depois da metade do Paranaense que conseguimos melhora e tivemos os jogos contra o Botafogo na Copa do Brasil. Isso deu muita confiança para o início nosso da Série B. Mas por ser um grupo jovem, de pouca experiência na Série B, acabou gerando uma expectativa e acredito que foi um peso a mais. Com um pouco mais de lastro, a gente oscilaria menos. Mas é o lado positivo. Quando se cria expectativa é porque o trabalho estava sendo bem feito.

O Paraná tem uma folha salarial baixa em comparação com outras equipes da Série B. Você pediu reforços para a diretoria?

Desde o começo a gente foi muito transparente. Eu sabia que não adiantava colocar nomes para a diretoria por causa da condição do clube. Também pesava a questão que você tem uma média salarial no elenco de x e você traz um jogador ganhando 5x. Acaba desestabilizando. Os atletas também sabiam disso. A gente tinha que jogar sempre a 100%.

Houve atraso salarial?

Atrasou bem pouco. O clube se manteve equilibrado e os jogadores entenderam a realidade do Paraná. Tem clubes que pagam premiação por ponto. No nosso caso, não tinha premiação por jogo, só em caso de acesso. E o elenco entendeu, não fez pressão. Tem elencos com atletas mais rodados que quando o time começa a ganhar, quer prêmio. Não houve isso. Todo mundo acreditava que poderia subir. Era um grupo tão comprometido com a realidade que assimilou e aceitou. Nunca deixou de se entregar, os jogos mostram isso. Eu tive uma relação muita boa com o elenco. Muitos me ligaram tristes com a saída. Isso foi o que mais me deixou chateado.

Você aceitaria assumir outro clube nesta temporada ou só em 2021?

Eu faço uma análise dos clubes de forma bem fria. Eu tomo muito cuidado para gerir bem a carreira. Temos que se valorizar também. Se for um clube que eu sinta que posso contribuir, eu aceito trabalhar ainda nesta temporada. Caso contrário, eu espero até o ano que vem de forma mais tranquila.

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