Walter Alves/O Estado
O time, campeão paranaense, conquista o troféu depois de nove anos de jejum no campeonato.

Antes mesmo de atingir a maioridade, o Paraná Clube viveu uma temporada de redenção. No dia do seu 17.º aniversário, o torcedor paranista só tem motivos para se orgulhar, após um ano repleto de conquistas e de afirmação no cenário nacional. Rasgou os rótulos de ?favorito ao rebaixamento?, ?cavalo paraguaio? e ?azarão?, para escrever uma nova página na sua vida. Um ano em que o Tricolor esteve próximo da perfeição, levantando o título paranaense e finalizando sua campanha no Brasileiro com a 5.ª colocação e uma inédita vaga à Libertadores da América.

Sob o slogan de ?Clube do Ano 2000?, o Paraná Clube foi fundado em dezembro de 1989. Fruto da fusão entre Colorado e Pinheiros, tinha como principal objetivo ganhar novos torcedores para fazer frente aos mais tradicionais clubes da cidade, a dupla Atletiba. O sucesso, porém, foi quase imediato. No seu primeiro ano já conseguiu acesso à segunda divisão nacional, após chegar entre os quatro primeiros da terceirona. Era o primeiro avanço de um time que, no ano seguinte, levantaria seu primeiro caneco.

Campeão paranaense de 1991, em uma competição por pontos corridos.

O título foi o estopim para um período de glórias, assumindo a hegemonia do futebol do Estado. Ao longo de sete anos, o Paraná manteve a média: um título de expressão por temporada. Além de seis estaduais (com um pentacampeonato entre 1993-97), o Tricolor foi campeão da segunda divisão de 1992, chegando assim, à elite nacional. O sucesso em campo, porém, não se refletiu fora dele. O clube gastou muito para manter equipes competitivas, teve problemas estruturais e a partir de 1998 entrou numa fase de ?vacas magras?.

Período que culminou com o rebaixamento, no ano seguinte, para a segunda divisão brasileira. Só que o Brasileiro – devido ao imbróglio envolvendo o Gama – deu lugar à Copa João Havelange. Mesmo assim, numa perceptível falta de apoio político, foi o único renegado ao Módulo Amarelo, a segundona do torneio. Mais uma vez, teve que dar a volta por cima no gramado. Conquistou seu segundo título nacional e por pouco não chegou à finalíssima da Copa JH, com a participação dos clubes das três divisões.

Restabelecendo seu lugar na elite, o Paraná Clube voltou a viver momentos de turbulência em 2002, quando se safou da ?degola? somente na última rodada. O clube começava a pagar um alto preço por não fazer parte do Clube dos 13. Sem as milionárias cotas de televisão, esteve a ponto de ser rebaixado por duas vezes no Paranaense. Foi um período de transição, até o Tricolor encontrar uma nova fórmula de gerir seu departamento de futebol. Com as parcerias, buscou capital externo que lhe permitiu a montagem de times competitivos em 2003, 2005 e 2006.

O trabalho progressivo atingiu seu ápice neste ano, com o fim de um incômodo jejum de quase nove anos sem levantar o troféu de campeão paranaense, sob o comando de Luiz Carlos Barbieri. Com a base dos três primeiros meses do ano, o clube reforçou-se na medida certa e apostou em Caio Júnior para dirigir um time ?guerreiro? e sem grandes estrelas. A fórmula deu resultado e o Paraná derrubou quase todos os ?videntes da bola?. Fechou um ano com uma nova volta olímpica para comemorar sua primeira participação na Libertadores. E, o mais importante: em sua casa.

Vila foi essencial pra boa campanha em 2006

Além do rendimento acima da média ao longo de 2006, o Paraná obteve uma grande vitória fora dos gramados. Ou, mais especificamente ?no? seu gramado. Num projeto ousado da diretoria – idealizado por Waldomiro Gayer Neto e Márcio Villela – o Tricolor voltou à sua casa. O projeto ?Vila, tá na hora!? embalou o sonho dos paranistas ao longo da temporada e tornou-se realidade no dia 20 de setembro, quando o clube voltou a mandar seus jogos no Estádio Durival Britto.

A Vila Capanema recebeu camarotes, um novo setor de arquibancadas (a curva norte) e foi palco dos principais resultados obtidos pelo clube, na reta final do Brasileirão. Em sete jogos, esteve próximo da perfeição, tendo sofrido apenas um tropeço e um empate em jogo tenso, frente ao São Paulo, que lhe valeu a vaga na Libertadores-2007. A obra, estimada em R$ 3 milhões (inicialmente esperava-se gastar a metade desse valor), foi quase que totalmente ?bancada? pelos torcedores.

Em especial os mais ilustres, que investiram pesado na compra dos camarotes. O clube tem planos futuros para ampliar ainda mais o estádio. No momento, aguarda apenas um parecer na Polícia Militar, após uma recontagem realizada na semana passada. Acredita que obterá laudo confirmando a capacidade do Durival Britto para 20 mil pessoas para poder jogar a Libertadores em sua casa.

No final dos anos 60s, foram realizados alguns jogos com públicos superiores a 23 mil pagantes. E, tudo, muito antes da ampliação realizada neste ano.

Troca-troca com Palmeiras quase finalizado

Uma nova reunião entre a diretoria do Paraná Clube e Gilberto Cipullo deve definir a negociação de Edmílson e Pierre para o Palmeiras.

Na transação, o Tricolor receberá uma quantia significativa – não revelada – e dois jogadores: o zagueiro Daniel Marques e o atacante Ricardinho. O clube paulista, ao que tudo indica, deve ?bater o martelo? no valor estabelecido pelos dirigentes paranistas. O único problema ficaria na questão salarial dos jogadores pretendidos.

Daniel Marques já conversou com o diretor de futebol Durval Lara Ribeiro e é aguardado em Curitiba para uma conversa definitiva. ?Ele foi muito bem em 2005. Mas, quero saber se ele vem com a mesma vontade de vencer na vida e com salários adequados ao nosso padrão?, disse Vavá. Essa política ?pés no chão? norteia a busca por reforços do Tricolor, que deve trazer de seis a oito jogadores para armar seu novo elenco, com vistas ao Paranaense e à Libertadores.

Não houve avanço na negociação com o meia Vandinho, do Vila Nova-GO, mas o clube já teria engatilhado a aquisição de um atacante para o lugar de Leonardo. O nome desse atleta, porém, é mantido em sigilo, enquanto os detalhes da transação não são concluídos. ?A concorrência é grande. Uma informação pode comprometer o negócio?, avisou o vice de futebol José Domingos. A diretoria sabe que neste período não é fácil definir contratações, com jogadores e empresários com atenções voltadas para as festas de fim de ano.