No ano do centenário do clube, todos esperavam que o Palmeiras estivesse neste domingo tranquilo, em ritmo de férias para encarar o Atlético Paranaense, às 17 horas, na sua nova arena, a Allianz Parque, em São Paulo. Mas, por diversos erros de seus dirigentes e jogadores, a partida pela 38.ª e última rodada do Campeonato Brasileiro se torna a mais importante do ano e, pior, não vale título. Pelo contrário. O time alviverde luta para não ser rebaixado pela terceira vez. Pelo menos, a equipe só depende das próprias forças.

O presidente Paulo Nobre tem o hábito de falar uma frase para todos os jogadores que chegam ao clube: “Honrem muito essa camisa”. Nunca o seu pedido foi tão necessário. Para se manter na elite nacional, basta o Palmeiras vencer. Se empatar, tem de torcer para o Vitória não derrotar o Santos, em Salvador. Até com uma derrota o time se salva. Desde que Vitória e Bahia – que visita o Coritiba – não vençam seus jogos.

Mas, por tudo que o torcedor sofreu ao longo do ano, ninguém no clube cogita a possibilidade de depender de terceiros. “Temos de pensar no nosso jogo. Não importa o que vai estar acontecendo nas outras partidas”, avisou o técnico Dorival Júnior, que tem grandes chances de fazer a sua última partida no comando da equipe, seja qual for o resultado.

Para tentar evitar um desastre, a diretoria e comissão técnica fizeram de tudo nas últimas semanas, em um movimento mais de desespero do que realmente acreditar que possa fazer a diferença. Uma das mudanças foi fechar os treinamentos e vetar entrevistas que não fossem coletivas.

Antes do jogo muita coisa foi discutida e especulada. Desde que o Atlético “entregaria” o jogo para prejudicar o Vitória, por causa de problemas judiciais que os clubes discutem, até possíveis brigas entre jogadores e a comissão técnica.

O Ministério Público ainda tentou tirar a partida do Allianz Parque, por entender que o local é de alto risco, e o Atlético abriu mão dos ingressos que tinha direito por receio de problemas com a torcida. O fato é que a semana, que tinha tudo para ser de paz e o jogo se tornar um grande amistoso de luxo, virou uma das decisões mais importantes do Palmeiras nos últimos anos.

Diferente das quedas de 2002 e 2012, o Palmeiras fará o jogo de sua vida pela primeira vez em casa, que ainda cheira à tinta. Mais uma vez, a torcida prepara uma grande festa e, como fez ao longo do campeonato, deve apoiar o time do início ao apito final, quando o resultado definirá se virão palmas ou vaias das arquibancadas.

PROBLEMAS – Com toda essa pressão nas costas, Dorival Júnior resolveu esconder o time, mas sabe que não tem muito o que criar de diferente. A tendência é que a base seja a mesma que enfrentou o Internacional na última rodada, com desfalques importantes. Marcelo Oliveira sentiu dores na coxa esquerda e foi vetado. Tobio, com dores na coxa direita, é dúvida.

A ausência mais sentida é a de Valdivia. O chileno, que desfalcou o time diante do Internacional e conseguiu atuar apenas 45 minutos contra o Coritiba, treinou normalmente até quinta-feira, quando voltou a sentir dores na coxa esquerda e passou a ser dúvida. Sem ele, a desconfiança em cima do time é ainda maior, mas cabe a Dorival Júnior e seus comandados “honrarem a camisa” e darem ao torcedor palmeirense um fim de ano digno.