São Paulo – A aparente falta de modéstia do suíço Roger Federer ao comentar sua vitória sobre o chileno Fernando González, domingo, na final do Aberto da Austrália – ?Acredito que sou o melhor jogador de tênis do mundo, e podem me chamar de gênio porque me imponho aos meus rivais de forma diferente, ganhando mesmo sem jogar o meu melhor? – foi respaldada pela imprensa especializada e por outras personalidades históricas do tênis.

 ?Para ganhar dele, só se der uma raquetada na cabeça dele?, brincou o australiano Rod Laver, ganhador de 11 torneios de Grand Slam na década de 60 e último a fechar a série num só ano – fez isso duas vezes, em 1962 e 1969, feito que Federer já se candidatou a conquistar este ano. ?Ele realmente é um gênio. Tem todos os golpes e se mantiver essa forma, será o melhor da história. Vale lembrar que ele ainda está na metade de sua carreira?, completou Laver, que hoje dá nome à quadra central do complexo em Melbourne que recebe o Aberto da Austrália.

O francês Yannick Noah, vencedor do Torneio de Roland Garros, ressaltou que nunca viu um jogador dominar tanto em quadra como Federer faz. ?Neste nível, nunca vi. (Bjorn) Borg poderia bater você quando quisesse, mas você sempre sentiria que poderia reagir. Mas com Roger, não. Ele ganha um torneio sem perder um set sequer e você sente que ele ainda tem muitos recursos para mostrar?, disse o ex-tenista.

Embora muitos já o considerem o melhor de todos os tempos, Federer ainda precisa de mais algumas façanhas para justificar nos números o seu poder em quadra. Com seu 10.º título em torneios de Grand Slam, o suíço se igualou ao norte-americano Bill Tilden, mas ainda está atrás de outros quatro ?monstros? do tênis – o norte-americano Pete Sampras (14 conquistas), os australianos Roy Emerson (12) e Rod Laver (11) e o sueco Bjorn Borg (11).

Além disso, ele precisa acabar com um tabu que o incomoda há algum tempo: ganhar o Aberto da França. Assim, poderia sonhar com a conquista do Grand Slam, que no ano passado ficou pela final de Roland Garros, quando perdeu para Rafael Nadal. ?Estou melhorando no saibro, e quem sabe chego na final e o Nadal não esteja lá ou tenha condições de vencê-lo?, disse Federer.

Algozes latinos

Além de tê-lo batido nos dois últimos anos no saibro de Roland Garros – em 2005 foi nas semifinais -, Nadal tem melhor retrospecto no confronto direto contra Federer, 6 vitórias contra 3.

Outro tenista em atividade com mais vitórias do que derrotas para o atual líder do ranking é o brasileiro Gustavo Kuerten. Em três duelos, Guga bateu Federer em duas ocasiões – uma delas, em 2003, no Masters Series de Indian Wells (EUA), na quadra dura em que o suíço é especialista. No ano seguinte, na terceira rodada de Roland Garros, o brasileiro não deu chances e aplicou um incontestável triplo 6/4 – foi a última atuação memorável da carreira de Guga.

Mais

Além de fechar o Grand Slam num só ano e do número de títulos da principal série do tênis, há outras coisas que motivam Federer a seguir vencendo em sua carreira, que já acumula quase 30 milhões de dólares só em premiações. Outros recordes estão aí para serem batidos e o suíço não quer perdê-los de vista.

O primeiro deles está bem próximo. Com 157 semanas seguidas como número 1 do ranking de entradas da ATP – desde fevereiro de 2004 -, Federer precisa de mais três para superar o feito obtido pelo norte-americano Jimmy Connors. Isso acontecerá no final de fevereiro, independente do desempenho do suíço nos torneios do próximo mês.

No número de vitórias e de títulos na carreira, Federer ainda está distante de vários ?gênios? do tênis que já não estão mais em atividade. Com 490 vitórias (em 615 jogos) e 46 títulos, o suíço vai ter que suar muito para fazer frente para Pete Sampras (762 vitórias e 64 títulos), Andre Agassi (866 e 60) e Ivan Lendl (1.070 e 94), por exemplo. O melhor de todos é Connors, com 1.222 vitórias e 109 títulos. Mas, para quem ainda tem 25 anos e pretende jogar até a Olimpíada de 2012, cujo torneio de tênis será em Wimbledon, parece não haver nada impossível.