O Ministério Público, através da Promotoria de Justiça do Consumidor, entrou na última segunda-feira com ações civis que pedem a extinção de seis torcidas organizadas do futebol paulista. As uniformizadas citadas são Mancha Alviverde (Palmeiras), Gaviões da Fiel (Corinthians), Serponte e Jovem Amor Maior (ambas da Ponte Preta) e Guerreiros da Tribo e Fúria Independente (ambas do Guarani), “em razão do envolvimento dessas agremiações em atos de violência”.

Na ação, o promotor Roberto Senise Lisboa defende a dissolução das seis organizadas para “garantir a segurança e sossego públicos, uma vez que houve o desvirtuamento de suas finalidades, sendo as torcidas organizadas utilizadas para a promoção de atos e práticas ilícitas, inclusive ilícitos penais, com a ocorrência de atos de violência e tumultos a elas relacionados, causando enormes danos à sociedade, gerando a sensação de falta de segurança dentro e fora dos estádios”.

“Ao invés de promover o amor e interesse pelo esporte, as torcidas organizadas passaram a praticar atos de violência contra o patrimônio e integrantes de outras torcidas organizadas, além de torcedores de outros times”, diz a ação do promotor. “A violência, ao invés do esporte, tornou-se o mote dessas torcidas organizadas, travestindo-se de associação com fins lícitos para entidade promotora de atos ilícitos, configurando-se em verdadeira atuação de quadrilha ou bando.”

O promotor também pede a concessão de liminar para que as seis organizadas e seus integrantes sejam impedidos de entrar nos estádios, em todo o território nacional, até o julgamento dos processos. Ele justificou a presença de Mancha Alviverde, Gaviões da Fiel, Serponte, Jovem Amor Maior, Guerreiros da Tribo e Fúria Independente na ação pelos recentes e recorrentes atos de violência que seus integrantes têm protagonizado dentro e fora dos estádios do futebol paulista.

No caso das torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians, o promotor lembra da briga ocorrida no dia 25 de março, que deixou dois palmeirenses mortos, e também cita o conflito de agosto do ano passado, quando um corintiano morreu. “As ocorrências policiais envolvendo a Gaviões da Fiel e a Mancha Alviverde têm se tornado frequentes, eis que em boa parte dos jogos de futebol há tumultos ou atos de violência envolvendo seus integrantes”, relatou a ação.

A ação também cita alguns episódios recentes de violência em Campinas para justificar o pedido de extinção das duas torcidas da Ponte Preta e das outras duas do Guarani. E lembra que “os confrontos físicos não se dão unicamente a torcedores de outras equipes: a violência é direcionada também aos policiais militares, posto que, sempre que intervém para fazer cessar as agressões e tumultos em curso, são atacados violentamente e se tornam o alvo das novas agressões.”