Com a vitória na primeira fase do Pipe Masters, a última etapa do Circuito Mundial de Surfe, Gabriel Medina foi direto para a terceira fase e, se vencer a próxima bateria, já elimina Kelly Slater da disputa pelo título. E se Mick Fanning cair, o brasileiro garante o título mundial inédito. “Se eu falar que isso não mexe com a gente é mentira, mas temos de transformar essa pressão em energia positiva. Esse será nosso trabalho a partir de agora”, avisa Charles Saldanha, pai e técnico do surfista.

A intenção é não deixar o menino se deslumbrar com a possibilidade de título e manter os pés no chão até o fim de sua participação. “Viemos para a praia, já sentimos o clima, está mais fácil trabalhar aqui do que no Brasil ou em Portugal”, contou Charles. “São três passos que tínhamos de dar e já foram dois. Precisa de mais um para chegar perto. Estamos felizes, mas não podemos nos empolgar. Ninguém ganha de véspera”.

Charles, inclusive, tratou de garantir o espaço para que o surfista pudesse andar pela areia da praia antes de bateria sem ser importunado. “É difícil, no começo da bateria estava um pouco nervoso, então a gente pede para o pessoal não amontoar muito. Tenho 40 anos e já me assusto com isso, imagina ele com 20. Mas lá dentro do mar, o surfe deixa a pessoa tranquila. A última coisa que ele pensa é em pressão quando está lá dentro. Só quer surfar.”

A pontuação nas ondas em sua estreia foram baixas, mas ele foi bem superior aos seus rivais e não deu brechas, evitando ter de disputar a repescagem. “O mar piorou, por isso que as notas foram mais baixas. Mas dentro da bateria o Gabriel ficou 20% acima da melhor nota do segundo colocado. Foi um bom começo, ele surfou com dignidade, se impondo”, explicou.