O técnico Luiz Felipe Scolari terá a honra de comandar a seleção brasileira em uma segunda Copa do Mundo a partir desta quinta-feira, quando a equipe vai enfrentar a Croácia, no Itaquerão, em São Paulo, mas também vem sofrendo com problemas pessoais nos últimos dias. Desde o início da preparação para o torneio, no final de maio, ele perdeu dois parentes: o sobrinho Tarcísio Schneider e o cunhado Nei Canabarro Maia.

A morte do sobrinho de Felipão foi na última sexta-feira. E, com a aproximação do começo da Copa do Mundo, ele não pôde participar do velório – no caso do cunhado, que morreu no final de maio, o treinador deixou a concentração em Teresópolis e foi para o enterro em Canoas, no interior do Rio Grande do Sul.

Assim, para superar momentos tão difíceis, o treinador explicou nesta quarta-feira que vem tentando se apegar ao trabalho, aos jogadores, ao ambiente da seleção, ao apoio dos torcedores e ao clima que envolve a Copa do Mundo.

“Convivemos com alguns momentos de dificuldade juntos e sabemos que a vida segue. Fazemos aquilo que precisamos fazer normalmente, depois seguimos em frente. Encontro forças no trabalho do pessoal, no grupo, no ambiente, de quem se dedica todo dia e trabalha entre si”, disse Felipão, agradecendo o carinho que vem recebendo nos últimos dias.

“A situação de tristeza a gente deixa de lado e olha a beleza do que vem acontecendo e estamos recebendo, na saída dos locais. Tudo isso faz com que se possa enxergar o lado positivo de 99% das coisas. Seguimos em frente no dia-a-dia”, afirmou.

Campeão mundial em 2002 pela seleção com o grupo que ficou conhecido como “Família Scolari”, em razão da forte união, o treinador tenta repetir o mesmo estilo 12 anos depois, às vésperas do começo de mais uma Copa. Ele destacou ser impossível, pela sua personalidade, fugir a esse comportamento.

“Tento ser o treinador que sempre fui. Nunca fiz diferente, em time grande ou pequeno. Sempre fui assim. Aprendi e segui lições no meu tempo de profissional com excelentes técnicos. Acho que sou uma mistura de tudo isso: pai, tio, amigo, o sujeito que fala um pouco mais alto às vezes. Um técnico que cobra, define e, principalmente, toma decisões”, comentou.

Principal nome da seleção, Neymar não poupou elogios a Felipão. “É uma honra estar ao lado dele. Acompanho desde pequeno, no Palmeiras, na seleção, sempre como um vencedor. Tirei as coisas boas que ele falava e levo isso comigo até hoje. Tento aproveitar o máximo a sua experiência. Para não levar só as coisas boas do lado pessoal, espero que possa puxar o lado vencedor. E vencer a Copa”, disse o atacante.