Greyson Assunção/divulgação
Ex-volante ontem na Vila, ao lado de Aurival Correia e Paulo Welter.

O Paraná Clube foi o responsável pelos melhores momentos de Beto como jogador de futebol. Foram quatro temporadas completas vestindo a camisa azul, vermelha e branca.

Atingiu o auge de sua carreira em 2006, quando foi não apenas o capitão, mas o grande líder do elenco que fez história ao conseguir uma inédita vaga na Copa Libertadores da América. Agora, o Tricolor acelerou a aposentadoria do atleta.

Aos 35 anos, Beto ?pendurou as chuteiras? definitivamente para mergulhar de cabeça em uma nova função.

Um mês após não ter seu contrato renovado, Valberto Amorim dos Santos está de volta à Vila Capanema, mas agora na direção. O novo gerente de futebol foi ?apresentado? ontem ao elenco, prometendo muito trabalho para contribuir -mesmo que fora das quatro linhas – na missão de reconduzir o Paraná à primeira divisão nacional.

?Sempre fui do diálogo e esse perfil será mantido. Vou ser o elo entre comissão técnica, jogadores e diretoria, sempre com muita transparência para que todos trabalhem com total satisfação?, ponderou.

O último jogo oficial de Beto foi, coincidentemente, a última vitória do clube na temporada. No dia 16 de abril, o então volante entrou em campo aos 17 minutos do 2º tempo, numa partida que até hoje é referência como o melhor momento do Tricolor em 2008 (2×0 sobre o Internacional, pela Copa do Brasil).

Como um ?talismã?, Beto agora dará as cartas de outra forma, mas não tão distante do gramado.

Com a nova composição do departamento de futebol, o trabalho diário do gerente será próximo da comissão técnica e dos ex-companheiros de vestiários.

A parte administrativa passa a ser executada pelo supervisor Rafael Zucon. ?Tenho muito a aprender?, disse Beto, humildemente. ?Foram quinze anos lá dentro e tenho a visão de jogador.

Mas creio que a partir desse momento vou expandir meus horizontes?. O ex-jogador admitiu que o convite abreviou em pelo menos um ano sua carreira.

A idéia de Beto era jogar até o fim de 2009, para então se lançar em um novo projeto de vida. Porém, recusou alguns convites que recebeu após deixar o Paraná. ?Estou concluindo a faculdade de educação física. Tenho residência fixa em Curitiba. Por isso, preferi declinar dessas ofertas até estar com o diploma na mão?, afirmou.

O convite do Paraná fez com que Beto mudasse de planos. ?Acredito nesse grupo e sei que o clube tem tudo para realizar uma grande campanha neste ano. O fato de poder ajudar de alguma forma o Paraná pesou para que eu tomasse esse caminho?, disse o gerente de futebol.

Quanto ao futuro profissional, Beto não tem a plena certeza se continuará apenas na área de gestão do esporte ou se poderá até migrar para um comando técnico. ?Só não me vejo como preparador físico. Mas só o futuro poderá dizer. Até ontem, eu era jogador de futebol?, disse. ?O importante é que estou feliz e confiante naquilo que poderemos desenvolver até o fim da temporada?, encerrou.

Pra história – A tarde de ontem foi de festa na Vila Capanema. Os novos sócios Sempre Torcedor se reuniram na reta do relógio para a foto histórica, com seus cachecóis. Aproximadamente 1.500 paranistas já aderiram à campanha. Os sócios pagam um valor fixo por mês – que variam de R$ 23 a R$ 73 (dependendo do setor no estádio) – e têm acesso a todos os jogos do Tricolor, em casa.

Apesar do momento de turbulência do time, a ?primeira torcida de cachecol? do País não fez protestos, mas cantou com animação o hino do clube e os gritos de guerra ?xô segundona?.