Apesar do enorme sucesso recente da Renault na F 1, a equipe conseguiu ontem sua primeira dobradinha desde que voltou à categoria com time próprio, em 2002. Giancarlo Fisichella dominou a prova com tranqüilidade a partir da pole e teve na escolta Fernando Alonso, que graças a uma largada excepcional somou mais oito pontos em sua caminhada rumo ao bicampeonato.

Desde 1982 que os franceses não fechavam uma prova com seus pilotos nas duas primeiras colocações. Até o GP da Malásia, a única dobradinha havia sido conquistada em Paul Ricard, na França, com René Arnoux em primeiro e Alain Prost em segundo. "É um momento histórico", festejou o chefe da equipe, Flavio Briatore.

Para ganhar a terceira corrida de sua carreira, "Fisico" valeu-se de um motor novo, que não precisava ser poupado, e de uma atuação segura e sem grandes invenções. Fez duas paradas nos boxes e recebeu a bandeirada com pouco menos de 5 segundos de vantagem sobre seu companheiro.

Alonso, que tivera problemas na classificação e era apenas o sétimo no grid, largou feito um foguete e na primeira curva "jantou" dois carros da Williams ao mesmo tempo, assumindo a terceira posição. Depois, segurou Webber na primeira parte da prova e deixou as coisas fluírem, com um carro veloz e confiável. Ganhou a posição de Jenson Button nos pit stops e não teve muito com o que se preocupar.

O inglês da Honda fechou o pódio, seguido por Montoya, pela dupla da Ferrari e por Villeneuve e Ralf completando a zona de pontos. O azarado do dia, mais uma vez, foi Kimi Raikkonen, acertado por trás por Christian Klien logo na primeira volta.

O GP malaio foi disputado com muito calor, como de costume, mas com tempo nublado, o que facilitou a vida dos pilotos. Mas não dos motores, já que três quebraram na corrida e seis nos treinos. Agora a F 1 se encontra de novo em Melbourne, daqui a duas semanas, com temperaturas bem mais amenas. Até lá, a maioria dos times volta para a Europa para testes em vários circuitos.

Ferrari libera geral e Massa bate Schumi

Faltando dez voltas para o fim do GP da Malásia, o observador mais atento diria que alguma coisa estava fora da ordem no segundo pelotão da corrida. Em 6.º lugar, Felipe Massa, que tinha largado na última fila. Colado nele, Michael Schumacher, que havia partido de 14.º.

Michael vinha rápido, tendo saído de seu segundo pit stop para encontrar o novo companheiro de equipe com pneus mais desgastados e, até ali, zero ponto no campeonato. Para o alemão, segundo no Bahrein e aposta mais concreta do time para lutar pelo título, qualquer ponto seria importante. Desfecho esperado? Uma ordem de boxes para Felipe abrir caminho para o heptacampeão.

Mas, realmente, alguma coisa estava fora da ordem. Foram dez voltas de expectativa, com Schumacher sempre a menos de um segundo do brasileiro, e nada de Massa abrir. Simplesmente não houve ordem nenhuma. Felipe chegou na frente, em quinto, com Michael em sexto.

"A gente viu que a F 1 hoje em dia mudou um pouco", disse Massa sorrindo quando questionado sobre as comunicações de rádio. Schumacher não se importou. Ao contrário, elogiou o parceiro. "Eu não estava rápido o bastante para ultrapassá-lo, e ele não cometeu nenhum erro."

De certa forma, a Ferrari inflou o peito por seu "fair play". Se fosse qualquer outra equipe, a atitude de liberar seus pilotos para a disputa não surpreenderia. Mas como pelos lados de Maranello, nos últimos anos, nunca ninguém escondeu suas prioridades, a atitude foi recebida com espanto. E o curioso é que a equipe mal tocou no assunto. "Estamos felizes com os pontos que conquistamos diante de tantas dificuldades, e Felipe mereceu", disse Jean Todt.