Uma eleição inédita e incerta vai agitar o Parque São Jorge, na zona leste de São Paulo, neste sábado. A partir das 9 horas começa a votação para eleger um novo presidente do Corinthians e 200 novos conselheiros. São pouco mais de 12 mil associados com possibilidade de voto, mas a expectativa é que cerca de 4 mil compareçam.

Concorrem ao cargo de presidente Andrés Sanchez, Antônio Roque Citadini, Felipe Ezabella, Paulo Garcia e Romeu Tuma Júnior. O eleito ficará no cargo até novembro de 2020. A eleição vai até às 17 horas e a expectativa é que uma hora depois o resultado seja conhecido e o novo presidente nomeado imediatamente. A votação será em urna eletrônica.

Uma novidade a eleição é o fim do “chapão”. Antes, a chapa que tivesse mais conselheiros votados era considerada a vencedora e definia os 200 novos conselheiros. Agora, são “chapinhas” com até 25 nomes. O sócio vota em um conselheiro de cada chapa e oito que tiverem mais candidatos votados serão as vencedoras. Haverá duas suplentes.

A eleição para presidente promete ser bastante agitada, já que nas últimas semanas ocorreram show de liminares e impugnações. Paulo Garcia e Antônio Roque Citadini chegaram a ter a candidatura impugnadas, mas conseguiram liminares para disputarem o pleito. Nesta sexta-feira, Romeu Tuma Júnior tentou impugnar a candidatura de Andrés Sanchez na Justiça, sem conseguir. Uma pesquisa Ibope mostrou um empate técnico entre Andrés e Garcia.

No clube, há o temor de que a decisão das urnas vá parar na Justiça, com algum dos derrotados questionando a legalidade da candidatura do vencedor.

Confira as propostas de cada candidato:

ANDRÉS SANCHEZ

Arena Corinthians – Alega que a crise mundial atrapalhou a Arena. Pretende renegociar as dívidas com a Caixa e com a Odebrecht, mas não quer alongar o financiamento. Sugere diminuir o valor das parcelas agora (R$ 5 milhões) e aumentar no futuro ou vice-versa. Ironiza candidato que diz que vai se afastar da Odebrecht. “É só dar um cheque de R$ 300 milhões que ela vai embora”. Afirma que todos os passos da construção foram aprovados pelo Conselho do clube, mas agora tem de “ouvir asneiras” e bobagens ao dizerem que “Andrés fez tudo”.

Finanças – Promete priorizar o pagamento das dívidas mais importantes. Fica irritado ao ouvir que o Corinthians está mal financeiramente. Alega que todas as empresas vivem dificuldades, mas que o clube está longe de passar por uma crise. “Falar que o Corinthians está quebrado é ‘balela’”.

Futebol profissional – Diz que Alessandro e Fábio Carille continuam, mas precisarão se enquadrar naquilo que ele quer. Acha que o clube não precisa de uma parceira, mas aceitaria a chegada de uma como a Crefisa.

Categoria de base – Alega que desde os 15 anos os garotos já têm empresários, que se tornam donos de porcentagem dos direitos econômicos e que não tem como evitar isso.

Parque São Jorge – Afirma que um dos erros de Roberto de Andrade foi focar no futebol e esquecer o clube. Promete um projeto para a Fazendinha se tornar uma arena multiúso.

ANTÔNIO ROQUE CITADINI

Arena Corinthians – Vai conversar com a Odebrecht e com a Caixa para tentar resolver a situação do financiamento. Fala que os naming rights desgastaram a imagem do clube e só serviram para fazer propaganda de empresas, pois sempre que o time estava em crise saía uma notícia de que o nome da arena estava perto de ser fechado. Promete tratar o assunto com maior seriedade. Diz que o estádio foi inaugurado em 2014 e até hoje a diretoria não resolveu questões básicas, pois falta o Corinthians dar o primeiro passo e ir atrás das empresas para negociar.

Finanças – Reclama que precisa existir um equilíbrio sobre o que é gasto e o que é arrecadado, e que é preciso investir mais no marketing, que hoje “é zero”. E promete parar de adiantar cotas de TV.

Futebol profissional – Defende que o Corinthians precisa voltar a se posicionar politicamente contra a CBF. Garante que vai manter Alessandro e Carille e diz que ser presidente do Corinthians é mais importante do que comandar a CBF.

Categoria de base – Defende que todos os garotos sejam 100% do clube e que quem não concordar com isso, sairá. Não teme enfraquecer a base, pois “o clube não revelou nenhum Rivellino nos últimos anos, então não vai mudar”.

Parque São Jorge – Acredita que a saída da base para o Parque Ecológico vai abrir espaço da Fazendinha para criar um centro olímpico, e que o clube social precisa ser repensado.

FELIPE EZABELLA

Arena Corinthians – Lamenta que agora seja tarde para reclamar da negociação da Caixa e diz que o jeito é tentar administrar a situação. Garante que não vai trabalhar com a Odebrecht e que buscará outra construtora para terminar as obras pendentes no estádio. Alerta para a necessidade de se criar mais eventos na Arena, com o intuito de arrecadar mais dinheiro em dias que não têm jogos.

Finanças – Conta que tem um estudo que aponta vários motivos para a dificuldade financeira. A governança do clube é algo que atrapalha, pois nenhuma empresa quer associar sua marca a um Corinthians cheio de notícias negativas, como a citação da Arena na Lava Jato, atrasos de pagamentos, dentre outras coisas.

Futebol profissional – Manterá Alessandro e vai contratar mais um dirigente. Promete acabar com o pagamento de comissão para empresários em negociações e pretende criar um time B para colocar atletas que não estão sendo utilizados.

Categorias de base – A mudança para o Parque Ecológico vai fazer com que os atletas tenham mais foco. Quer colocar dirigentes qualificados para trabalhar no setor e uma métrica de avaliação dos jogadores para evitar contratações equivocadas.

Parque São Jorge – Não tem definido o que fará na Fazendinha, mas alerta que é um local valorizado e que pode ser construído um shopping ou levantar três torres de prédio. Quer modernizar o clube.

PAULO GARCIA

Arena Corinthians – Quer ver os contratos para saber o real valor da dívida contraída pelo clube com a construção do local. Vai estudar a possibilidade de contratar uma empresa para administrar os negócios da arena. Quer que uma grande companhia entre em acordo para dar o nome ao estádio e assim gerar uma nova receita.

Finanças – Diz que o problema não é falta de dinheiro, mas pretende administrar melhor as receitas do clube. Fala em aumentar a transparência das negociações e não gastar mais do que arrecadar. Nega que vá usar sua empresa, Kalunga, para emprestar dinheiro ou patrocinar o clube. Lembra que o estatuto não permite tal manobra.

Futebol – Vai manter Alessandro e Fábio Carille, mas irá reforçar a diretoria de futebol com novos dirigentes. Promete não negociar com jogadores de seu irmão, o empresário Fernando Garcia, que conta com vários atletas no elenco. Esses jogadores continuarão no time até que cheguem propostas.

Categoria de base – Diz que o cenário ideal seria ter 100% dos direitos econômicos dos atletas, mas vê isso como algo impossível. Promete atenção para acabar com indicações de garotos por amizade.

Parque São Jorge – Quer fazer um grande projeto para mudar drasticamente o clube. Vislumbra a construção de um shopping center com a ajuda da iniciativa privada e uma arena multiúso no lugar onde existe a Fazendinha.

ROMEU TUMA JÚNIOR

Arena Corinthians – Alerta que é preciso tirar a Odebrecht e a Caixa do negócio e acabar com o fundo criado para pagar a Arena. Defende a ideia de processar a Odebrecht, teme que a Justiça interdite o estádio e diz que, por isso, é preciso afastar o clube da construtora. Com a Caixa, quer oferecer os CIDs e se livrar da dívida o quanto antes.

Finanças – Afirma que o problema é de gestão. Reclama de comissão paga para empresários, do Fiel Torcedor, que segundo ele rende pouco ao clube, do “marketing inexistente”, dentre outros pontos. Promete transparência total, pois só assim “o clube conseguirá passar credibilidade”.

Futebol profissional – Vai manter a comissão técnica e diretoria e só contratará jogadores pedidos pelo treinador. Vetará apenas atletas fora da realidade financeira do clube.

Categorias de base – Promete a volta da peneira e do terrão. Os testes serão mais detalhados, com os garotos treinando por três meses no clube para mostrar se possuem capacidade. Os que forem revelados terão 100% dos direitos federativos ligados ao Corinthians. Contratações só para posições carentes.

Parque São Jorge – Diz que o clube está abandonado. Estuda criar atrações para mulheres, crianças, fala na construção de um hotel e um projeto chamado “Integra Corinthians”, em que os atletas vão ao clube participar de tarde de autógrafos e fotos. Na Fazendinha, vai criar uma arena multiúso.