Com a medalha de ouro no pescoço, a ginasta Daiane dos Santos desembarcou ontem no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e seguiu para Curitiba em carro do Corpo de Bombeiros para, mais uma vez, ser recebida com festa pela população curitibana, que começa a se acostumar a considerar a gauchinha uma heroína local.

Batuque e coros de boas- vindas no saguão do aeroporto, que estava repleto de cartazes, faixas, palhaços e até uma banda tocando Brasileirinho, música de Valdir Azevedo que a campeã da Copa do Mundo de Ginástica imortalizou numa apresentação de gala domingo.

Daiane, que domingo foi medalha de ouro na grande final da Copa do Mundo de Ginástica, em Birmingham, na Inglaterra, retornou ao Brasil ontem e declarou que o País está no primeiro mundo da modalidade, sem dever nada a outras nações de ponta, como Romênia e China.

Daiane, que tem patrocínio individual e exclusivo da Brasil Telecom há três anos, desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, vinda de Frankfurt, e logo fez conexão para o Afonso Pena. Na capital paranaense, a ginasta gaúcha seguiu em caminhão do Corpo de Bombeiros para o escritório da empresa e participou de uma videoconferência de imprensa, na qual falou para mais de 40 veículos de comunicação (entre jornais, rádios, tevês e sites) de 12 estados.

Segundo a atleta, a ginástica no Brasil vem evoluindo muito nesses anos graças ao apoio do governo, através da Lei Agnelo-Piva, e ao incentivo de empresas privadas. "A Brasil Telecom é um exemplo de que, com a ajuda privada, o nível das competidoras poderá ser ainda melhor, assim como os resultados nos grandes eventos", disse. "Alguns países já conhecem o nosso potencial e, quando nos vêem nos ginásios, sabem que não terão vida fácil pela frente", comentou.

Sobre a rivalidade com a romena Catalina Ponor, ouro nas Olimpíadas de Atenas e prata na Super Final em Birmingham, Daiane lembrou da Grécia. "Ela foi melhor lá e eu tive melhor nota na Inglaterra. Não acho que me vinguei. Estamos lutando pela vitória para nossos países e, além disso, ninguém pode ganhar todas". Sobre a série de exercícios "Brasileirinho", que vem usando desde o começo de 2004, a ginasta deve optar pela manutenção. "Estou realizando essa coreografia há pouco tempo e, por isso, vou mantê-la. Talvez nem mude mais."

Em relação ao quinto lugar obtido por ela na prova de solo em Atenas, no momento em que a expectativa por uma medalha de ouro da ginasta era grande, Daiane completou: "Errei e perdi pontos que comprometeram meu resultado. Alguns até cogitaram que o problema foi o Brasileirinho, mas quem falhou foi a brasileirinha Daiane dos Santos. Devemos ser lembradas pelos bons resultados que alcançamos, não só por aqueles que não pudemos atingir. O que pouca gente sabe é que esta foi a primeira olimpíada que contou com uma equipe brasileira completa. E o nono lugar foi um ótimo resultado".

As conquistas de 2004 colocaram a pequenina Daiane na liderança do ranking da Federação Internacional de Ginástica (FIG).

Tema irrita gaúcha

Daiane dos Santos garantiu que ainda não há nada decidido sobre uma possível cirurgia no joelho direito. "Tem um mal-entendido nisso", afirmou a ginasta, referindo-se às informações de que seria operada em janeiro.

Daiane chegou a ficar nervosa com as questões sobre a cirurgia, que ela própria tinha anunciado antes do ouro no solo da final da Copa do Mundo, em Birmingham.

"De novo. Mais uma vez. Já foi falado", repetia a ginasta, enquanto a pergunta sobre a cirurgia era formulada. "Falam tanto nisso que já está me irritando."

Segundo Daiane, não houve nenhuma afirmativa ao repórter que lhe perguntou em Birmingham, na Inglaterra, sobre a cirurgia. "Disse que podia ser que sim ou que não", acentuou. "Isso tem que ser decidido entre mim, o médico e o treinador."

"O médico disse que mais tarde deveria ter uma nova intervenção para que, no futuro, ela não venha a ter problemas como artrose", afirmou Eliane Martins.