Jucemar se esforça para superar Lúcio.

“Temos que descobrir oque está acontecendo, e logo.” A frase do vice-presidente Domingos Moro, evidencia o pior momento do Coritiba na temporada 2004, em 21.º no Brasileirão. Pior mesmo que o início claudicante de ano, que desaguou no desastre da estréia na Libertadores, quando o Coxa foi goleado pelo Sporting Cristal. Se naquele momento faltava muito ao time, agora apenas Aristizábal está fora e nem com as estrelas, com os salários em dia e a tática cautelosa de Antônio Lopes o time está andando.

A péssima atuação contra o Palmeiras fechou a primeira parte do Campeonato Brasileiro. “Agora temos que conversar, corrigir e recuperar”, resumiu Domingos Moro. “Temos tempo para trabalhar, e a única coisa que podemos fazer nesses quinze dias é isso, trabalhar para arrumar a casa”, completa o técnico Antônio Lopes, que não quis falar sobre possíveis dispensas e reforços. “Não é hora de ficar especulando”, afirmou.

Mas as conversas são intensas, e começaram logo após o jogo no Palestra Itália. E a primeira posição quem terá que tomar é a diretoria e, para isso, terá que encerrar as divergências internas. Ficou mais uma vez claro o descompasso do discurso do presidente Giovani Gionédis, que garante ter encerrado o período de contratações, com seu vice, que mantém a posição da necessidade em reforçar o time. “Nós temos carências, e isso ficou mais uma vez evidente contra o Palmeiras. Nós assistimos ao Palmeiras jogar”, definiu Moro.

Sobre as possíveis contratações, o vice-presidente alviverde deixou poucas esperanças tanto na vinda de Tcheco quanto na de Adriano. “A primeira depende do final do campeonato árabe, e de uma composição com os príncipes. A outra é quase impossível, porque precisaria da ajuda do (empresário) Juan Figger, e ela dificilmente virá”, afirmou o dirigente.

Depois, a conversa chegará ao campo. A diretoria e a comissão técnica viram um time sem motivação, e que sucumbiu passivamente ao apenas mediano time palmeirense. “Nós realmente jogamos muito mal no primeiro tempo. Depois, o Igor entrou e até deu uma dinâmica melhor, mas no todo merecemos perder. O Palmeiras teve todos os méritos pela vitória”, afirmou Antônio Lopes.

Além disso, há a crise técnica. Alguns jogadores estão sem ritmo (caso claro de Tuta e Adriano), e outros vivem mau momento (como Miranda e Capixaba). “Nós precisamos descobrir o que está errado. E não há culpados, todos estamos mal”, reconheceu o lateral-esquerdo coxa. “Claro que na derrota tudo fica errado, mas é a hora de ter calma e ver o que está acontecendo”, finalizou o capitão Reginaldo Nascimento.

Atuação não foi suficiente nem para salvar o empate

Quem esperava um Coritiba compacto, marcador, solidário e ao mesmo tempo ousado, perdeu tempo na tarde-noite de sábado. Isso porque viu uma equipe desmobilizada, desatenta e sem poder ofensivo. E, resultado dos problemas, a derrota para o Palmeiras por 2×0, no Palestra Itália. O Coxa segue sem vitórias há mais de um mês (agora são sete partidas de jejum), e evidencia o pior momento técnico na temporada.

Não era um jogo fácil, e isso todos sabiam. O Palmeiras vinha em trajetória ascendente, e estreava o técnico Estevam Soares, recém-contratado da Ponte Preta. De outro lado, via-se uma equipe eminentemente marcadora, com cinco volantes – jogando na função ou não – e com o pensamento voltado para o empate. Apesar do treinador alviverde Antônio Lopes não querer dizer, voltar de São Paulo com um ponto era um ótimo negócio. Aí entra a antiga lei do futebol: quem joga para empatar acaba perdendo. E o Cori começou a perder na parte tática: sem precisar fazer muita força, o Palmeiras assumiu o controle da partida, mas não tinha capacidade para criar grandes chances. Os lances de maior perigo eram em bolas paradas, nas cobranças de Correa.

Em uma dessas jogadas, a bola saiu da área alviverde e sobrou para Muñoz, que cruzou para Vágner Love. A cabeçada foi fraca, mas a fase é tão ruim que Fernando espalmou, a bola bateu na trave e explodiu no rosto do goleiro coxa. Era o primeiro gol dos paulistas – e ali o jogo era decidido, porque não se viu em nenhum momento um time em condições de igualar o jogo, nem na parte física, nem na técnica, e muito menos em motivação.

Na defesa, Miranda e Reginaldo Nascimento foram presas fáceis de Vagner até mesmo em bolas altas, maior deficiência do atacante palmeirense. No meio-campo, Cacique confirmou o nervosismo que demonstrara nos treinos, e Luís Carlos Capixaba repetiu a má atuação do final de semana anterior. Mesmo reféns da falta de aproximação, Tuta e Luís Mário também não fizeram nada de produtivo na primeira etapa.

Para piorar, logo no início do segundo tempo o zagueiro Nen fez o segundo gol do Verdão, dando números finais à partida. Igor, Adílson Popó e Josafá entraram, mas nada fizeram. O Coritiba apenas chegou ao ataque (e teve apenas duas chances claras, com Tuta e Jucemar, este o melhor jogador coxa) porque os donos da casa reduziram o ritmo. A derrota até poderia ser esperada, mas a péssima atuação deixou ainda mais dúvidas sobre o futuro da equipe no Campeonato Brasileiro.

CAMPEONATO BRASILEIRO
8.ª rodada
Local: Palestra Itália (São Paulo-SP)
Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (RS)
Assistentes: Sérgio Buttes Cordeiro Filho (RS) e Paulo Ricardo Silva Conceição (RS)
Gols: Vágner Love 35 do 1º; Nen 2 do 2º
Cartões amarelos: Sérgio, Magrão, Vágner Love (PAL); Pepo, Capixaba (CFC)
Renda: R$ 103.891,00
Público: 8.160 (8.038 pagantes)

Palmeiras 2 x 0 Coritiba

Palmeiras
Sérgio; Daniel Martins, Nen, Leonardo e Lúcio; Marcinho, Correa, Magrão (Elson) e Adãozinho; Vágner Love e Muñoz (Thiago Gentil). Técnico: Estevam Soares

Coritiba
Fernando; Jucemar, Miranda, Reginaldo Nascimento e Adriano; Ataliba, Pepo, Cacique (Igor) e Luís Carlos Capixaba; Tuta e Luís Mário (Adílson, depois Josafá). Técnico: Antônio Lopes