Quando já se dava como certo que seria em Curitiba a primeira partida da decisão da Copa Libertadores da América, entre Atlético e São Paulo, ontem uma nota da Confederação Sul-americana de Futebol programou o jogo para "o estádio da Beira-Rio, em Porto Alegre, do Clube Internacional de Porto Alegre, com capacidade para 56 mil pessoas".

A justificativa da Conmebol é a de que o "estádio não está adequado à capacidade estabelecida no regulamento do torneio e, a propósito de promover uma boa organização e evitar conjecturas negativas (…) fica decidido que a primeira partida se realize no Beira-Rio, em Porto Alegre, às 21h45 do próximo dia 6 de julho".

Apanhada de surpresa pela divulgação da nota, a diretoria do Atlético achou por bem não se pronunciar sobre o assunto. Em Brasília, onde se encontra com a delegação atleticana para o jogo de hoje, contra o Brasiliense, o presidente do Conselho Deliberativo do clube afirmou nada saber a respeito. "Estou longe de tudo, não sei o que está acontecendo" – disse Mário Celso Petraglia.

Reunidos durante toda a tarde, os dirigentes atleticanos em Curitiba decidiram manter todo o organograma de trabalho para a ampliação da Arena, conforme havia sido estabelecido na véspera. Embora ninguém quisesse se pronunciar oficialmente, o que se passou é que o Atlético vai aguardar um comunicado oficial da Conmebol para alterar seus planos. Até que haja um comunicado oficial endereçado ao clube, os rubro-negros entendem que a partida será realizada em Curitiba. Tanto que os ingressos devem começar a ser vendidos amanhã. Atlético se apega no próprio regulamento da Libertadores, que determina um prazo de 10 dias para que se possa mudar de praça para a realização de qualquer partida.

Até mesmo o governador Roberto Requião deve entrar na parada. Segundo fontes atleticanas, Requião deve conversar hoje com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para que a CBF interfira a favor do futebol paranaense e dê parecer favorável à realização da partida no estádio ampliado.

Uma manifestação de torcedores atleticanos está programada para as 15h de hoje, defronte ao estádio, contra a determinação da mudança de local do jogo.

Obras da Baixada continuam. Mais aceleradas

Elizângela Wroniski e Irapitan Costa

Enquanto a diretoria tenta, politicamente, resolver o impasse junto à Conmebol, as obras prosseguem normalmente. E agora num ritmo ainda mais acelerado. O objetivo é que até amanhã o estádio já possa passar por vistoria dos órgãos competentes. O engenheiro que construiu a Arena da Baixada em tempo recorde, 18 meses, é o mesmo responsável pela construção das arquibancadas modulares que ampliam de 24 mil para 40 mil a capacidade de lotação do estádio.

Luiz Volpato garantira, inicialmente, que as obras seriam entregues na terça-feira, dia em que o clube pretendia enviar à CBF um documento do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) autorizando a realização da obra e a vistoria do Corpo de Bombeiros. Cerca de 200 trabalhadores já se revezam 24 horas por dia para garantir a data da entrega, agora, numa corrida contra o tempo.

O trabalho para construir as arquibancadas começou na sexta-feira, logo após uma negociação com a CBF, que aceitava a realização do primeiro jogo da final da Copa Libertadores da América em Curitiba. A primeira etapa das obras, a retirada do muro que separa a Baixada do Colégio Expoente e a derrubada do folclórico "pombal", já foi executada. Enquanto isto, outros funcionários trabalhavam para descarregar as barras que iam compor a arquibancada. Depois que passar o jogo, a diretoria do Atlético pretende remover as ferragens e iniciar obras para a conclusão do estádio, agora que a batalha judicial entre o clube e o Colégio Expoente foi solucionada.

Ontem era grande a movimentação de torcedores ao redor do estádio, querendo confirmar onde seria realizada a partida. No entanto, tendo em vista o improviso das obras, só amanhã é que a CBF iria anunciar oficialmente o local do jogo. Só que a Conmebol, através de seu endereço eletrônico, marcou o jogo para o Beira-Rio, em Porto Alegre. Alheios a esta situação, alguns torcedores permanecem acampados em frente ao estádio para garantir ingressos, ainda sonhando com a realização do jogo em Curitiba.

A montagem das arquibancadas tubolares – mesmo reprovadas pela Fifa – já foram utilizadas anteriormente. Inclusive no ano passado, em jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias, diante do Uruguai, no Pinheirão.