Hernane, uma, duas, três vezes. Hernane, 31 vezes. O artilheiro de apelido Brocador a cada jogo constrói uma mística única com a camisa rubro-negra e, ainda por cima, uma mística única no Maracanã, praça esportiva que já consagrou deuses como Garrincha e Zico. Na noite desta quarta-feira, no clássico que já viu ambos brilharem, o atacante marcou três gols em uma inesperada goleada sobre o Botafogo pelo placar de 4 a 0.

O Flamengo avança para as semifinais da Copa do Brasil, depois de um predomínio amplo sobre o rival, em campo e nas arquibancadas, onde a torcida flamenguista dominou mais de 70% do Maracanã.

A noite pertenceu a um homem. Um rapaz modesto, saído do Mogi Mirim – como vice-artilheiro do Campeonato Paulista, atrás de Neymar – para o clube com uma das maiores torcidas do País. Amargou a reserva para grifes como a de Marcelo Moreno. Prometeu fazer 30 gols na temporada, sob risos irônicos de muitos críticos e torcedores. Nesta noite, Hernane chegou a 31 no ano, superou Petkovic (2000) e Edilson (2001). O Brocador deve ganhar a quinta parte do salário de ambos.

O JOGO – Empurrado por seus fãs, o Flamengo começou melhor e criou uma ótima chance no início, em que Paulinho parou em Jefferson. Pelo lado esquerdo de ataque, o atacante fez o que quis com Gilberto e Bolívar e ajudou a encaminhar a classificação. Leonardo Moura foi outro jogador decisivo da partida. Aniversariante do dia, foi preciso na marcação, tranquilo no toque de bola, perigoso nos contra-ataques.

O primeiro gol teve o selo Hernane de eficiência. Bola alçada na área sobra para o artilheiro e rede, aos 21 minutos. E o segundo gol não foi diferente. Paulinho parou em Jefferson e Hernane pegou o rebote, aos 34.

Atordoado, o Botafogo não concatenava uma ação ofensiva consciente. Seedorf era sombra do craque que encantou o País no primeiro semestre e errou quase tudo que tentou. Mas ele foi apenas o símbolo da noite alvinegra.

E o segundo tempo não trouxe mudanças, nem mesmo com o atacante Sassá no lugar do volante Marcelo Mattos. Mesmo com o Flamengo adotando a equivocada “tática” dos chutões no tiro de meta. Quando os botafoguenses ensaiavam pressão, André Santos foi à linha de fundo e cruzou para Hernane testar no canto.

Com a fatura liquidada, o atacante foi lançado por Carlos Eduardo, que destoou do restante do time, e derrubado na marca do pênalti por Dória, expulso.

Leonardo Moura, por direito adquirido, efetuou a cobrança com categoria e deu números finais ao clássico: 4 a 0, com direito a parabéns para o capitão. O lateral deixou o campo no fim, substituído, e caiu em lágrimas no banco de reservas.

FICHA TÉCNICA:

FLAMENGO 4 X 0 BOTAFOGO

FLAMENGO – Felipe; Leonardo Moura (Rafinha), Chicão, Wallace e André Santos; Amaral, Luiz Antônio, Elias e Carlos Eduardo (Adryan); Paulinho (Bruninho) e Hernane. Técnico: Jayme de Almeida.

BOTAFOGO – Jefferson; Gilberto, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos (Sassá), Renato (Lucas Zen), Gegê, Lodeiro e Seedorf (Dankler); Rafael Marques. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

GOLS – Hernane, aos 21 e aos 34 minutos do 1º tempo. Hernane, aos 13, e Leonardo Moura, aos 27 minutos do 2º tempo.

CARTÕES AMARELOS – Hernane e Elias (FLA).

CARTÃO VERMELHO – Dória (BOT).

ÁRBITRO – Paulo Cesar de Oliveira (Fifa-SP).

RENDA – R$ 2.955.555,00.

PÚBLICO – 50.505 pagantes (59.848 no total).

LOCAL – Estádio do Maracanã, no Rio.