Zurique – O Brasil terá a concorrência da Colômbia para organizar a Copa de 2014. Ontem, no último dia do prazo dado pela FIFA, os colombianos apresentaram sua candidatura para organizar o maior evento esportivo do mundo.

A entidade máxima do futebol surpreendeu quando anunciou que daria apenas 11 dias para que as federações interessadas enviassem suas candidaturas, o que foi interpretado como uma ajuda à candidatura brasileira, que vinha sendo preparada desde 2003.

?Que venha a Colômbia. Eles têm todo o direito de entrar na corrida?, afirmou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Pela regra da rotação entre os continentes, em 2014 seria a vez de o mundial ser disputado na América do Sul. O tratamento dado à América do Sul, porém, é bem diferente do padrão usado pela FIFA.

A entidade decidiu acelerar o processo e antecipou não apenas o prazo de inscrição, mas também a decisão final de quem vencerá a corrida. O anúncio será feito em novembro de 2007, depois que vistorias e análise do plano apresentado pela CBF sejam feitas.

Há cerca de dois anos, a Conmebol fechou uma posição de apoio ao Brasil e um compromisso de que nenhum outro país se candidataria. Mas Joseph Blatter, presidente da FIFA, tentou em várias ocasiões sugerir candidatos alternativos. Isso seria uma forma de gerar uma concorrência e ainda de aumentar seu poder de barganha nas negociações com os candidatos.

A candidatura da Colômbia, portanto, cumpre um desejo de Blatter: não deixar o Brasil sozinho na disputa por 2014, ainda que se saiba que dificilmente Bogotá conseguirá vencer a corrida.

O cálculo de Blatter é outro. O presidente da FIFA estaria usando a Copa do Mundo de 2014 para deixar Ricardo Teixeira ocupado pelos próximos anos e, agora, com um concorrente. Isso evitaria que o brasileiro fosse tentado a se candidatar para a presidência da FIFA contra o próprio Blatter. Teixeira é visto por Blatter como uma das maiores ameaças a seu reinado.

Em janeiro, a FIFA envia calendário à CBF de como serão as próximas etapas da seleção e sobre quais serão as exigências. ?Não quero dinheiro do governo?, afirmou Teixeira. ?Vamos fazer tudo com recursos privados, salvo o que não nos cabe construir, como estradas e infra-estrutura?, explicou.

A Colômbia formalizou sua candidatura por carta. Inicialmente, o país pretendia apoiar o Brasil na disputa pelo mundial. Porém, os dirigentes mudaram de idéia depois que o presidente do país, Alvaro Uribe, manifestou interesse em organizar a competição – ele prometeu destinar todos os recursos necessários para a construção dos estádios.