Átila Alberti
Sem público, sem motivação, sem craques e sem graça. Assim foi o jogo na Vila Olímpica do Boqueirão.

Não poderia ser mais anticlímax o clássico que marcou a abertura da Copa 100 anos. O duelo entre as equipes B de Paraná e Coritiba foi disputado sem presença de público, numa tarde gelada, com estréia frustrada do sistema de transmissão pela internet e no qual só um time mostrou disposição – o Coxa, que mesmo terminando com dois jogadores a menos venceu merecidamente por 1 x 0.

A grande atração da partida era a inauguração ?para valer? da FPFTV – que já havia transmitido três partidas on-line da Divisão de Acesso via web, em caráter experimental. Mas, por problemas técnicos, a partida só entrou na rede aos 8 minutos do segundo tempo. O diretor de marketing da Federação, César Teixeira, disse que não houve problemas nos testes realizados na sexta-feira e horas antes do jogo.

?O roteador (distribuidor de linhas) não funcionou corretamente quando começou a partida?, justificou o diretor.

Nas arquibancadas da Vila Olímpica do Boqueirão, apenas alguns jogadores das categorias de base do Paraná e membros das comissões técnicas dos clubes. O jogo teve portões fechados ao público porque a Polícia Militar não garantiu efetivo – a maior parte foi destacada para eventos ligados às eleições e para o jogo Atlético x São Paulo, marcado há mais de um mês. O som perfeitamente audível das conversas entre os atletas e das orientações dos bancos de reservas reforçava o ar de futebol de várzea. E deixava claro o maior empenho dos jogadores alviverdes, bem mais ativos dentro de campo.

Antes do jogo, os técnicos Ary Marques e Mauro Madureira já deixavam clara a prioridade na Copa 100 anos: manter em atividade os reservas dos times principais e observar juniores recém-profissionalizados. O discurso de levar a sério a competição só foi cumprido à risca pelos coxas-brancas. ?Falei aos jogadores que deveriam honrar a história bonita que têm no Coritiba?, falou Mauro Madureira, depois do jogo, lembrando que a maioria dos atletas (13 dos 14 que entraram em campo) vieram das categorias de base do clube. Os tricolores preferiram atribuir a derrota à pontaria ruim. ?Faltou o gol?, resumiu Ary Marques.

Coxa B dá lição ao time principal

Se pudesse assistir ao ?clássico B? de ontem, a torcida coxa-branca provavelmente pediria muitas mudanças no time principal. A disposição acima da média da equipe comandada por Mauro Madureira superou as expulsões de dois jogadores e garantiu a vitória na largada da Copa 100 anos.

O Tricolor até começou encurralando o adversário e em 15 minutos perdeu quatro boas chances – o goleiro Ricardo Vilar fez três defesas importantes, a melhor delas numa cobrança precisa de falta do zagueiro João Paulo. Depois, o meia Serginho recebeu livre na área, mas bateu muito mal.

Mesmo subindo timidamente ao ataque, o Coxa marcou primeiro, aos 42: o meia Renan cobrou escanteio e o zagueiro Vágner subiu mais que a zaga, cabeceando para as redes. Os paranistas se abriram e deixaram espaço para os contragolpes – o atacante André Nunes, que voltou ao Coxa depois de alguns empréstimos, perdeu dois gols incríveis, frente a frente com o goleiro Carlinhos. No segundo lance, caiu na área e o árbitro Antônio Valdir dos Santos mostrou-lhe o segundo amarelo e depois o vermelho, alegando simulação.

Com um jogador a mais, o técnico Ary Marques trocou um dos três zagueiros (Da Silva) por um atacante (Vandinho). O mesmo Vandinho criou o lance que poderia ter mudado a partida – aos 22 minutos, o lateral alviverde Nei Santos evitou o gol com a mão e também foi expulso. Mas Vandinho cobrou o pênalti sem força e o goleiro Ricardo Vilar voou no canto para defender.

Mesmo com dois a mais, os paranistas não tiveram inspiração para furar o bloqueio defensivo do rival. Meias com experiência no time principal, como Felipe Alves e Serginho, atuaram mal e não conseguiram organizar boas jogadas. Na base da raça, os coxas-brancas se safaram das poucas jogadas de perigo paranistas e ainda perderam duas chances de ampliar o placar. (CS)

Paraná 0 x Coritiba 1

Paraná 

Carlinhos; João Paulo, Da Silva e João Vítor; Felipe Alves, Xaves, Cuca, Serginho (Marquinhos) e Digão; Jeff e Zumbi (Léo). Técnico: Ary Marques

Coritiba

Ricardo Vilar; Nei Santos, Vagner, Tiago Alencar e Fabinho; Marco Antônio, Cleiton, Fábio Lopes e Renan; Laércio e André Nunes. Técnico: Mauro Madureira

Gol: Vágner (42-2º)

Local: Estádio Erton Coelho Queiroz

Cartões amarelos: Felipe Alves, João Paulo e Da Silva (P), Ricardo Vilar, Vagner, Marco Antônio, Fabinho, André Nunes e Laércio (C)

Expulsões: André Nunes (47-1º) e Nei Santos (22-2º)

Árbitro: Antônio Valdir dos Santos

Assistentes: Marco Aurélio dos Santos e Altair Luís Daghetti