Genebra – O escândalo sobre a suposta trapaça durante o jogo entre Brasil e Argentina, válido pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 1990, promete colocar a Fifa em uma situação delicada, se for obrigada a investigar a equipe técnica da Argentina que, na época, era dirigida por Carlos Bilardo. Hoje, Bilardo é membro do Comitê Técnico da Fifa, órgão que cuida do desenvolvimento do futebol e que, para a própria entidade, é responsável pela "beleza do futebol". Já o presidente da Federação de Futebol Argentino, Julio Grondona, é vice-presidente da Fifa e em muitas ocasiões representa o presidente da organização, Joseph Blatter.

A polêmica veio à tona há alguns dias, depois que Bilardo não negou e nem confirmou se teria pedido para que tranqüilizantes fossem colocados na água que seria distribuída aos brasileiros. A partida terminou com a eliminação do Brasil por 1 a 0.

Oficialmente, os porta-vozes da Fifa garantem que somente irão fazer uma declaração sobre o caso depois de ter recebido um ofício da Confederação Brasileira de Futebol, que promete enviar o pedido de uma investigação na segunda-feira. "Por enquanto, não vamos fazer comentários sobre isso. Vamos primeiro receber a documentação e avaliar como será tratada", explicou o assessor da entidade, John Schumaker.

Mas, em Zurique, os comentários são de que um eventual processo será delicado. "Tanto Bilardo como Grondona fazem parte da estrutura da Fifa", afirmou um funcionário da entidade. No jantar de gala oferecido para o melhor jogador do mundo, Ronaldinho Gaúcho, Bilardo esteve entre os convidados especiais. O ex-técnico trabalha ao lado do francês Michel Platini, que lidera o comitê técnico da Fifa.