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De Letra

Aurélio Almeida, um novo “homem forte”

  • Por Jornalista Externo
Aurélio diz que não é hipócrita e
está no futebol para ganhar dinheiro.

Há um novo “homem forte” nos bastidores do futebol paranaense. O nome dele: Aurélio Almeida. Quem não o conhece e o escuta falar logo imagina que se trata de um estrangeiro pela presença de um forte sotaque espanhol nas suas palavras. Ledo engano. Ele é brasileiro nascido numa pequena cidade do Rio Grande do Sul e registrado em Guatambu (SC) e o seu sotaque é justificado pelo longo tempo que passou fora do país – aproximadamente 20 anos.

De origem humilde e agora empresário bem sucedido, sua trajetória faz lembrar a de muitos jogadores do futebol brasileiro. Aurélio iniciou sua carreira de jogador no Internacional de Porto Alegre (RS). Passou também pelo Caxias e não demorou muito já estava atuando fora do Brasil. Jogou em equipes da Bolívia, Chile, Equador e México, este último onde ficou até encerrar a carreira como atleta. Ele também teve uma breve carreira como treinador, na qual teve a oportunidade de comandar algumas seleções da América Central, como Belize e Aruba.

Mas, em 1992, resolveu se tornar empresário de atletas e fundou em Miami a “A. A. Miami Soccer Corporation” e desenvolveu desde então a atividade de representar jogadores no mundo todo. Foi quando em 99, procurando uma nova cidade para instalar sua empresa, Aurélio veio para Curitiba e gostou do que viu. Poucos meses depois já estava morando na capital paranaense e sua empresa desde então passou a chamar “Império do Atleta de Futebol Ltda.” Desde então, através da sua empresa ele vem investindo forte no futebol paranaense, principalmente nos clubes do interior. Para se ter uma idéia, para este campeonato paranaense ele literalmente comprou o Grêmio Maringá. Assumiu o time, sanou suas dívidas e está concentrando lá suas atividades como empresário e agora presidente de clube. Para saber um pouco mais sobre em que consiste esse trabalho, as perspectivas dele como empresário, suas reais intenções no mercado do futebol paranaense, a Tribuna realizou uma entrevista exclusiva com Aurélio Almeida na sede da sua empresa, em Curitiba.

Paraná-Online – No que consiste a “Império do Atleta de Futebol Ltda.”?

Aurélio – É uma empresa que representa, ou melhor, que transmite informações de qualquer jogador do futebol brasileiro aos clubes que solicitam. Dá pra dizer que nós somos os olhos desses clubes aqui no Paraná ou no Brasil, quando as equipes que solicitam informação são do exterior. Nós fornecemos todos os dados sobre o atleta, como por exemplo se ele é disciplinado, sua qualidade técnica, enfim, tudo.

Paraná-Online – Além das informações, a empresa também intermedia a negociação desses atletas. Qual o ganho com isso?

Aurélio – Na maioria das vezes o empresário fica com 10 por cento da negociação, mas também há outra forma. Por exemplo, algumas vezes o clube interessado repassa o valor de US$ 1 milhão para você comprar determinado jogador. Se conseguir negociar por menos, o resto fica pra você.

Paraná-Online – Para quais países você costuma negociar jogadores com mais freqüência?

Aurélio – Sem dúvida para o México e para a Espanha pelo longo tempo que vivi nesses lugares e pelos contatos e amizades que tenho nesses dois países. Mas trabalho com o mundo todo. Só para exemplificar, há poucos dias negociamos um jogador nosso com o Glasgow Rangers, da Escócia.

Paraná-Online – Quais jogadores do futebol paranaense você já intermediou as negociações para o estrangeiro?

Aurélio – O zagueiro Flávio e o lateral Veiga, do Coritiba, o atacante Marcelo Tamandaré, do Malutrom, todos para o futebol mexicano. Esses são só alguns nomes. Há algum tempo o Liédson e o Messias também faziam parte da empresa. Mas esses são só alguns. Eu também intermediei as negociações do atacante Geovanni, do Cruzeiro, e o do meia Fábio Rochemback, do Inter, para o Barcelona, entre outros. Em 1999, eu quase levei o Romário para o futebol mexicano.

Paraná-Online – Como um jogador faz para fazer parte da sua empresa?

Aurélio – Há duas situações. Na primeira, quando o jogador é profissional nós não o procuramos, apenas intermediamos possíveis negociações entre esse atleta e um clube interessado. Na outra, nós damos a oportunidade ao jovem atleta de fazer parte da empresa pagando uma quantia anual para nós e tendo a oportunidade de jogar no clube que nos pertence. Esses atletas precisam ser registrados em alguma equipe e por isso a necessidade de termos um clube.

Paraná-Online – Mas como é esse negócio do atleta pagar para jogar?

Aurélio – Na verdade esse é um investimento do atleta nele mesmo. Ele somente custeia suas próprias despesas durante um ano e nós damos a chance de ele ter uma avaliação de verdade e atuar num clube, no caso agora o Grêmio Maringá. É bem melhor que as famosas “peneiradas”, onde o jogador só entra por milagre, 15 minutos para jogar e nem sempre fica o melhor. Nesse sistema, o jogador paga uma quantia de aproximadamente R$ 300,00 por mês durante um ano e não pode reclamar que não teve a oportunidade. Se ele for bom mesmo, depois de um ano as despesas ficam por nossa conta.

Paraná-Online – Você tem uma filial da “Império do Atleta” no interior?

Aurélio – Sim. Na cidade de Toledo. Até disputamos a Série C do brasileiro de 2002 em parceria com o Ponta Grossa.

Paraná-Online – O que mais atrapalha o desenvolvimento de um trabalho como o seu?

Aurélio – Sem dúvida os atravessadores. No futebol existe uma máfia que muita gente desconhece. São treinadores mal-intencionados, dirigentes incompetentes, pessoas que nada tem a ver com o clube, mas que na hora das negociações sempre aparecem para tentar ganhar algum. Por exemplo, na transação do Geovanni para o Barcelona, o valor que estipulamos pelo atleta era de US$ 9 milhões, no máximo US$ 12 milhões. Apareceram várias pessoas querendo ganhar dinheiro e o atleta saiu por US$ 18 milhões. Isso é um abuso. Além de dificultar os negócios, o clube comprador acaba pagando um preço muito acima do que vale o jogador.

Paraná-Online – Quais são suas intenções comandando um clube como o Grêmio Maringá?

Aurélio – A minha intenção é fazer o futebol maringaense voltar a ficar forte. Num período máximo de quatro anos, eu quero colocar o Grêmio na primeira divisão do nacional. Esse é um trabalho lento e gradual, mas nós vamos chegar lá.

Paraná-Online – Esse é um dos objetivos, mas obviamente você também quer fazer dinheiro, não é?

Aurélio – Lógico. Eu estou no futebol para ganhar dinheiro e não vou ser hipócrita de dizer o contrário. Eu não comprei o Grêmio e quitei suas dívidas para perder dinheiro. Afinal, sou empresário e se eu falar que estou fazendo negócios por amor é mentira. Mas uma coisa é certa: o meu trabalho é feito sempre com muita seriedade e honestidade.

Paraná-Online – O que você acha dessa transformação dos clubes em empresa?

Aurélio – Eu apoio. Essa lei vai acabar com a “mamata” daquelas pessoas que só se aproveitavam dos clubes e aumentavam suas dívidas. Agora, elas vão ter que prestar contas e seus bens podem entrar em jogo. Isso só beneficia os clubes.

Paraná-Online – E a parceria com o Prudentópolis? Por que não deu certo?

Aurélio – Não teve compatibilidade, mas isso é passado e prefiro nem comentar. Só posso afirmar que depois de lá eu vi que não precisava de sócio.

Tribuna – Algumas pessoas, por não conhecer o seu trabalho ou por algum outro motivo, o classificam como “aventureiro” ou, na pior das hipóteses, “picareta”. O que você tem a dizer para essas pessoas?

Aurélio – Isso é normal. Eu sei que tem muitas pessoas que falam mal, mas são pessoas que têm inveja e não possuem capacidade nenhuma para fazer nada. Mas eu não me preocupo com o que falam e sim me preocupo com o que faço. Sempre trabalhei sério e não devo nada pra ninguém. Aqui no Paraná, até agora, eu só ajudei as pessoas.

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