Valquir Aureliano
Valquir Aureliano
Jogando em casa, o Rubro-Negro
foi derrotado por 3 a 0, placar
que não refletiu a superioridade
da equipe goiana.

O reencontro do time com a torcida na Arena da Baixada não poderia ter sido pior. Irreconhecível em campo, o Atlético foi vergonhosamente derrotado por 3 a 0, placar que não refletiu a superioridade da equipe goiana que, inclusive, foi aplaudida pelo revoltado torcedor rubro-negro. No dia em que nada deu certo, o goleiro Guilherme impediu que uma goleada histórica fosse imposta no desmoralizado e desajustado time atleticano. Pela terceira vez seguida, o público gritou ?Fora Vadão?, que vê seu cargo ameaçado diante da inconstância de seus comandados.

O Atlético entrou em campo e desde os primeiros minutos não conseguiu criar nada. Em todo o jogo deu dois chutes certos ao gol de Harlei, um deles de bola parada. O Goiás, bem postado, deixava o Furacão ir pra cima pra jogar no contra-ataque.

Com uma boa marcação, o adversário inibiu o time paranaense, roubando a bola e explorando a velocidade. Desta maneira, assumiu o comando da partida e sobrou em campo, criando chances seguidas de gol. Aos 12 minutos, Guilherme fez duas grandes defesas. Aos 19?, numa cobrança de escanteio, a defesa paranaense não marcou e Paulo Henrique cabeceou sozinho, obrigando o goleiro atleticano a outra boa intervenção. Porém, no escanteio seguinte, quatro minutos depois, a jogada repetiu-se e o erro defensivo também. Fabrício Carvalho testou e Guilherme defendeu parcialmente. A bola sobrou para Paulo Henrique completar para as redes.

O nervosismo tomou conta dos atleticanos e a seqüência de erros irritou a torcida, que começou a vaiar – principalmente Alan Bahia e Evandro. Aos 27?, em um erro de Evandro, a bola sobrou para Paulo Baier que lançou Welliton. Danilo perdeu na corrida para o rápido atacante goiano, que dividiu com Guilherme, caiu, mas se levantou e marcou o segundo gol, mesmo com o atabalhoado Jancarlos em cima do lance.

O placar fez com que Vadão alterasse o sistema de jogo, retornando para o 4-4-2, com Nei na lateral esquerda. Mas não adiantou. A única chance criada foi aos 43?, numa cobrança de falta de Edno, que acertou a trave. No rebote, Evandro acertou o travessão e Alan Bahia perdeu o gol.

Vadão fez duas alterações no intervalo, mas pouco adiantou. O time atleticano estava apático e entregue em campo. O Goiás muito mais ligado na partida, criou mais chances de gol que não entraram devido a boa fase de Guilherme. Aos 25 minutos, com a lesão de João Leonardo, Vadão demorou para fazer a alteração e foi xingado por grande parte do estádio.

A partir daí, só o time goiano jogou e a torcida protestou. Foram berros de ?fora Vadão?, ?time sem-vergonha?, ?queremos jogador?, e sobrou até para o presidente Petraglia.

E aos gritos de olé, o Goiás ?fechou o caixão? rubro-negro. Welliton cruzou e Diego completou para o fundo das redes.

Vadão com os dias contados

Vadão classificou a partida de ontem como a pior apresentação do Atlético sob o seu comando, que já dura dez meses. ?Hoje nada deu certo. A equipe jogou muito mal. Hoje foi uma partida atípica?, explicou o treinador. Sobre os vaias e gritos da torcida que pediam a mudança no comando técnico, Vadão disse que cabe a diretoria do Atlético analisar a questão. ?Tem que falar com a diretoria (sobre demissão). Hoje, também teria vaiado o time?, afirmou.

Diante da vexatória derrota, Vadão disse que alguma coisa terá que ser feita para mudar a postura de sua equipe.?Temos que correr atrás e detectar problemas no decorrer da semana. Mas vamos pensar com calma?, afirmou sobre a possibilidade de mudanças no time.

O capitão Danilo mostrou-se indignado com a apresentação do Atlético. ?Temos que conversar entre a gente. Duas derrotas em casa é muita coisa para um time como o Atlético?.

A torcida que anda irritada com as apresentações na Arena entoou vários gritos, principalmente contra Vadão. O nome do treinador Geninho – campeão brasileiro em 2001 pelo Furacão e que está sem clube -foi lembrado e gritado, assim como do ex-ídolo Matosas, campeão uruguaio pelo Danubio, com bem menos fervor.

Notas

Guilherme – Impediu que a goleada fosse ainda maior. Admitiu ter falhado no 2º gol. Nota 6,5

Jancarlos – Não conseguiu dar força ao ataque jogando como ala. Não passa por uma boa fase. Nota 4

Danilo – Boa cobertura, salvando gols do Goiás embaixo da linha. Porém, as bolas altas continuam atormentando. Nota 4,5

João Leonardo – Marcou e antecipou-se bem em algumas jogadas. Saiu machucado. Nota 4

Nei – Correu, marcou e arriscou algumas subidas ao ataque. Bastante voluntarioso. Nota 4,5

Alan Bahia – Errou muitos passes e perdeu um gol no 1º tempo. Não conseguiu qualificar a saída de bola quando necessário. Foi substituído no intervalo. Nota 3

Evandro – Prendeu muito a bola e continua sem objetividade. Foi substituído no intervalo. Nota 3,5

Erandir – Jogador limitado. Esforçado na marcação, mas não sabe sair jogando quando necessário. Nota 4

Netinho – Deu mais movimentação ao time. Precisa de mais entrosamento com o resto do grupo. Nota 4

Tiago – Teve 45 minutos para mostrar seu futebol, mas nada rendeu. Nota 3,5

Edno – Tentou ajustar o meio atleticano que estava perdido, mas não conseguiu. Foi o responsável pelos únicos dois chutes ao gol do Goiás. Nota 4,5

Denis Marques – Nada produziu. Nota 3,5

Alex Mineiro – Muito marcado, não conseguiu jogar. Nota 4

Dayro Moreno – Jogou 20 minutos e quase não tocou na bola. Ainda por cima, ligou um contra-ataque perigoso para o adversário. Nota 3

Vadão – Não conseguiu motivar seu elenco. As substituições não surtiram efeito. Foi vaiado, novamente, pela torcida. Nota 3,5